Vilas inteiras arrasadas
pelo grande sopro
do tamanduá-vermelho,
os formigueiros faraônicos
com seus seios dourados de caramelo.
Toda glória!
Seus monumentos erguidos falicamente
para atravessar as nuvens,
mostrar ao mundo seu grande graal,
suas escadarias de nervos em espiral.
Eis o homem!Eis o espelho do criador!
Estilhaçá-lo para surgir um belo mosaico!
Ou quem sabe,um novo crânio de cristal...
sábado, 21 de novembro de 2009
sexta-feira, 14 de agosto de 2009
TESTEMUNHA DENTRO DO AR COM OLHOS DE MADRE-PÉROLA
Só sei que há alguem me olhando do outro lado de tudo,
abrindo seus olhos de madre-pérola,
de vidro temperado,de dentro do ar,
alguem que abre a gaveta angelical neste momento
com palavras de um dialeto de brilho desconhecido
e quebra o grande vitral do silêncio com constantes gargalhadas
de metal cortante & me parte em dois,o antes e o depois.
Um sorriso de soslaio rente a neblina
que se assusta e cruza seus dedos
e oferece a próxima dança ao pulsar mais obscuro,
vasculhando meu universo com descuidado esmero,
me levando todo o medo de olhar para o fogo se aproximando.
abrindo seus olhos de madre-pérola,
de vidro temperado,de dentro do ar,
alguem que abre a gaveta angelical neste momento
com palavras de um dialeto de brilho desconhecido
e quebra o grande vitral do silêncio com constantes gargalhadas
de metal cortante & me parte em dois,o antes e o depois.
Um sorriso de soslaio rente a neblina
que se assusta e cruza seus dedos
e oferece a próxima dança ao pulsar mais obscuro,
vasculhando meu universo com descuidado esmero,
me levando todo o medo de olhar para o fogo se aproximando.
quarta-feira, 1 de julho de 2009
MÃO ROSA-ELETRÔDO
A mão rosa-eletrôdo rasga a pele e reluz a alma além,
flui, se derrama,cascata,lava,lâmina abrindo o sol
e inundando o mundo de conchas submarinas,
de onde,os passos venusianos são ouvidos,
adentram o labirinto auricular de quem encosta
e as pérolas cravejam a escadaria escorpiana,
nuvens pedregosas dançam às brasas...
flui, se derrama,cascata,lava,lâmina abrindo o sol
e inundando o mundo de conchas submarinas,
de onde,os passos venusianos são ouvidos,
adentram o labirinto auricular de quem encosta
e as pérolas cravejam a escadaria escorpiana,
nuvens pedregosas dançam às brasas...
sábado, 27 de junho de 2009
TELEPHONE PARA PERSEPHONE
O fone grita:DRRRRRRRREEEEEEEEEEEEAAAAAAAAAAAAM!!!
E alguém recebe o chamado.
Enquanto o jardim ruge,racha-se a grande máscara da terra,
com suas folhagens,relva,espíritos,rituais de passagem,coitos,revelações.
O animal branco no cadafalso vermelho em Sur desce,
com suas garras nebulosas e rugas obscuras,de relevo acidentado
e o chão abre sua bocarra,
blasfemando sem descanso,engolindo a paisagem.
Queimando os pés diagonalmente,ela desce sem deixar vestígios,
nem relógios de parede.
Enquanto isso ela não foge do Hades,
caminha numa peregrinação pelas entranhas da Terra.
Ela caminha até a janela,não arranca os olhos mas,os atira longe pela madrugada.
O sindicato do sonho,varre as ruas com seus protestos,
barricadas,palavras de desordem,boas novas,cocktail molotov e musas de Paul Delvaux.
O fone grita:DDDDRRREEEEEEAAAAAMM!!!
E todos dormem ao amanhecer.
Persephone desce ao Hades e desposa-se do príncipe.
Ele vai a loucura e faz compras providenciais.
Compra um novo rosto e ela novos seios de morango.
Ela hidrata a pele com leite do Letes e esquece do último devaneio,
quando ele é vertido durante o transe alquímico.
E os pássaros de vapor se divertem,bicando as rosas e as romãs no último assalto.
De dentro delas são sugados os símbolos,tartarugas,escamas,
poemas esquimós,tilintar de taças e talheres,becos escuros e danças húngaras.
O fone grita:DRRREEEEAAAAAAMMMMM!!!
Césare e outros sonâmbulos acordam
e cometem uma onda de assassinatos contra o tempo vigente no cais
e ninguém vê suas mãos ensanguentadas de minutos e segundos.
E alguém recebe o chamado.
Enquanto o jardim ruge,racha-se a grande máscara da terra,
com suas folhagens,relva,espíritos,rituais de passagem,coitos,revelações.
O animal branco no cadafalso vermelho em Sur desce,
com suas garras nebulosas e rugas obscuras,de relevo acidentado
e o chão abre sua bocarra,
blasfemando sem descanso,engolindo a paisagem.
Queimando os pés diagonalmente,ela desce sem deixar vestígios,
nem relógios de parede.
Enquanto isso ela não foge do Hades,
caminha numa peregrinação pelas entranhas da Terra.
Ela caminha até a janela,não arranca os olhos mas,os atira longe pela madrugada.
O sindicato do sonho,varre as ruas com seus protestos,
barricadas,palavras de desordem,boas novas,cocktail molotov e musas de Paul Delvaux.
O fone grita:DDDDRRREEEEEEAAAAAMM!!!
E todos dormem ao amanhecer.
Persephone desce ao Hades e desposa-se do príncipe.
Ele vai a loucura e faz compras providenciais.
Compra um novo rosto e ela novos seios de morango.
Ela hidrata a pele com leite do Letes e esquece do último devaneio,
quando ele é vertido durante o transe alquímico.
E os pássaros de vapor se divertem,bicando as rosas e as romãs no último assalto.
De dentro delas são sugados os símbolos,tartarugas,escamas,
poemas esquimós,tilintar de taças e talheres,becos escuros e danças húngaras.
O fone grita:DRRREEEEAAAAAAMMMMM!!!
Césare e outros sonâmbulos acordam
e cometem uma onda de assassinatos contra o tempo vigente no cais
e ninguém vê suas mãos ensanguentadas de minutos e segundos.
O INTERNATO NA BEIRA DO PRECIPÍCIO INTERNO(extrato)
O vento bate,fere de lado,
abrem-se fendas nos flancos,
portas se abrem como bocas de hierofantes,
antes tartemudos e fugidios.
Cometas carregados de chaves brilhantes,
que abrem oceanos ao torcer.
Poucos sabem sobre o despertar dos insetos,
nova estação,com seus vagões
se descarrilhando próximo as luas esquecidas.
Eles se lembram,
do tempo que eram insetos de aço e metal,
atravessando as narinas do mundo e seus vômers.
Em voos cegos,príncipes dilatando ao sol no parapeito estreito,
vendo as ruínas do mercado de pulgas,
batendo as asas membranosas ansiosas pelo Satori,
desenhando koans no espaço que não há.
abrem-se fendas nos flancos,
portas se abrem como bocas de hierofantes,
antes tartemudos e fugidios.
Cometas carregados de chaves brilhantes,
que abrem oceanos ao torcer.
Poucos sabem sobre o despertar dos insetos,
nova estação,com seus vagões
se descarrilhando próximo as luas esquecidas.
Eles se lembram,
do tempo que eram insetos de aço e metal,
atravessando as narinas do mundo e seus vômers.
Em voos cegos,príncipes dilatando ao sol no parapeito estreito,
vendo as ruínas do mercado de pulgas,
batendo as asas membranosas ansiosas pelo Satori,
desenhando koans no espaço que não há.
sexta-feira, 19 de junho de 2009
CHORA O OLHO DE CRISTAL NA TESTA DO CÉU
As cristaleiras quedam e formam açudes e surgem náufragos vermelhos,azuis,múmias embalsamadas e gatos e mais imagens se dilatam do ventre da tempestade.A calidez de atonais matizes coloram os solstícios que digressam e digerem os olhos que buscam Vênus à olho nú do lado do sol.Prismas se congelam na claridade insólita dos dias ímpares onde não se vê o girassol incandescente ser engolido pelo fosso crepuscular.Subo as escadarias descarnadas cor-de-raiz desraizada,os raios nascem assim do corpo alma de Iansã.Não durmo, transito pelas ruas oxigenadas e arsênicas,respiro os vapores esquecidos e conservo o turvo viés e sinto a presença
de quem canta que nada é intransponível nem mesmo a barreira do som.E as cristaleiras quedam como águas-vivas das mãos do detentor de todas as cicatrizes e marcas do tempo.
de quem canta que nada é intransponível nem mesmo a barreira do som.E as cristaleiras quedam como águas-vivas das mãos do detentor de todas as cicatrizes e marcas do tempo.
segunda-feira, 1 de junho de 2009
O ATO TRANSCENDENTAL I
O dedo mergulha,
hábil narciso-dos-prados,
se transforma
ao adentrar a ferida no peito do golfo,
um míssel cego
pela ânsia do inverno mais rigoroso.
O corpo todo é mergulhado,
as escamas da tarde são tão escorregadias.
As enguias dançam e gritam pelas costas,
ardem as escadarias acima
Até chegar ao salão principal do Palácio dos Sonhos.
As decaptações em série,
o brilho nervoso do sabre,
preciso golpe,talha-mar
nos cascos encalhados
dos navios-cavalos-carrascos
em plena tempestade de areia.
Somem os ouvidos,somem as línguas
que giram até a dissolução
dos pedaços
que logo se densificam,
formando meteoros
viajando anos-luz,
fundas
navegando a raiva e a melancolia
do vácuo mais obscuro.
hábil narciso-dos-prados,
se transforma
ao adentrar a ferida no peito do golfo,
um míssel cego
pela ânsia do inverno mais rigoroso.
O corpo todo é mergulhado,
as escamas da tarde são tão escorregadias.
As enguias dançam e gritam pelas costas,
ardem as escadarias acima
Até chegar ao salão principal do Palácio dos Sonhos.
As decaptações em série,
o brilho nervoso do sabre,
preciso golpe,talha-mar
nos cascos encalhados
dos navios-cavalos-carrascos
em plena tempestade de areia.
Somem os ouvidos,somem as línguas
que giram até a dissolução
dos pedaços
que logo se densificam,
formando meteoros
viajando anos-luz,
fundas
navegando a raiva e a melancolia
do vácuo mais obscuro.
segunda-feira, 11 de maio de 2009
FATIAS ILUSÓRIAS
Eu não sei,
devem ser os teleféricos cortando o céu em pequenas fatias ilusórias,trópicos.
Tanto a neve quanto o deserto alimentam o dragão de vidro de ilusões de óptica.
Enquanto os alpes são invadidos por atiradores de elite,
jovens se alistam na legião estrangeira para permanecerem estranhos a si mesmos para sempre & alguém perde a garganta ensolarada até os dentes para a rainha da Inglaterra,
Canibal!Canibal!Canibal!
& os açoites estalam seus dedos mais alto do que o Himalaia,
mais alto do que a fome dos desvalidos no primeiro continente,
o continente perdido e enlatado.
As lágrimas são devolvidas no final quando os justos descobrirem
que sempre estiveram lado a lado com seus irmãos siameses,os pecadores,
na mesma salada de rato com pêssegos em calda.
A Tábua de Esmeraldas é o próprio mapa-mundi,
Certo,certo e muito verdadeiro.
Nada exatamente se divide,
nem mesmo a carne,nem mesmo o espírito,nem mesmo os mundos.
devem ser os teleféricos cortando o céu em pequenas fatias ilusórias,trópicos.
Tanto a neve quanto o deserto alimentam o dragão de vidro de ilusões de óptica.
Enquanto os alpes são invadidos por atiradores de elite,
jovens se alistam na legião estrangeira para permanecerem estranhos a si mesmos para sempre & alguém perde a garganta ensolarada até os dentes para a rainha da Inglaterra,
Canibal!Canibal!Canibal!
& os açoites estalam seus dedos mais alto do que o Himalaia,
mais alto do que a fome dos desvalidos no primeiro continente,
o continente perdido e enlatado.
As lágrimas são devolvidas no final quando os justos descobrirem
que sempre estiveram lado a lado com seus irmãos siameses,os pecadores,
na mesma salada de rato com pêssegos em calda.
A Tábua de Esmeraldas é o próprio mapa-mundi,
Certo,certo e muito verdadeiro.
Nada exatamente se divide,
nem mesmo a carne,nem mesmo o espírito,nem mesmo os mundos.
quarta-feira, 6 de maio de 2009
TUAREGUES NOS ANDES
Lágrimas são falhas,
de San Andreas,
São falas.
Artefatos de real grandeza
nas mãos dos manifestantes gafanhotos,
clematites boiando
num lago azul-egípcio,
refletindo tuaregues
em baixo-relevo
pelos Andes,
perdidos no espaço e tempo.
Não sabem voltar,
Saara e Atacama,um só lugar.
Diamantes enferrujam ao luar,
pétalas e cofres
se abraçam em desespero,
derretem
sob o sol de Antares.
Como sempre é verão em Marte
e em toda parte,
uma face dourada brilha
e espalha seu glitter
vinda de um fundo oval.
Rostos decompostos
fazem a paisagem lunar e bélica,
galináceos cantam,
som da gota que cai,
anunciando mais um
circuncisado por Cronos.
de San Andreas,
São falas.
Artefatos de real grandeza
nas mãos dos manifestantes gafanhotos,
clematites boiando
num lago azul-egípcio,
refletindo tuaregues
em baixo-relevo
pelos Andes,
perdidos no espaço e tempo.
Não sabem voltar,
Saara e Atacama,um só lugar.
Diamantes enferrujam ao luar,
pétalas e cofres
se abraçam em desespero,
derretem
sob o sol de Antares.
Como sempre é verão em Marte
e em toda parte,
uma face dourada brilha
e espalha seu glitter
vinda de um fundo oval.
Rostos decompostos
fazem a paisagem lunar e bélica,
galináceos cantam,
som da gota que cai,
anunciando mais um
circuncisado por Cronos.
sábado, 2 de maio de 2009
PEQUENOS CADÁVERES
Lâmpadas?
Lua nova crescente.
Sangue?
Papoulas em calda.
Avenidas?
Rastros de cometa.
Dor?
Enxame de abelhas.
Nuvens?
Assembléia de cegos.
Sonhos?
Golpes luminosos.
Lua nova crescente.
Sangue?
Papoulas em calda.
Avenidas?
Rastros de cometa.
Dor?
Enxame de abelhas.
Nuvens?
Assembléia de cegos.
Sonhos?
Golpes luminosos.
UMA CARTA ROSETANA
as palavras faltam,
a ponte se quebra,
a arcada com tantos dentes,
fábulas,provérbios italianos,árabes,egípcios,
sobram apenas poemas esquimós
de intensa agonia branca
e com o perfume característico
das belas flores de cristal do Ártico.
as flores que te envio agora
por uma espécie de correio mental da madrugada.
espero que chegue em tuas mãos de seda
esta carta inviável.
Que possa lê-la com os olhos,
com a ponta dos dedos,
com sinalizadores para navios à deriva,
com Champollion a seu lado
e outros tantos decifradores de enigmas
que pareciam insolucionáveis.
aqueles que sabem todos relevos lunares,
que passam luas e luas
alisando as costas mais obscuras,
por onde os telescópios não se atrevem.
eu não sei escrever com palavras
mas,com memorabílias internas
e enquanto alguém lê estas fotos,
estas paredes forradas de calendas gregas
a água sobe e oculta meus passos,
as rosas partem de degraus aos saltos,
sentidos adormecem
e sinto luvas internas de raios,
deixando meus dedos iluminados pelo gás neon.
Sou uma instalação de Dan Flavin
e espero que não exploda.
Mas,se eu explodir
meus estilhaços voarão longe,
alcançarão algum desavisado pedestre
pelas hordas da noite
e serei eu
fragmentos de uma psicanálise do fogo
enquanto os degraus de Veneza vão desaparecendo.
a ponte se quebra,
a arcada com tantos dentes,
fábulas,provérbios italianos,árabes,egípcios,
sobram apenas poemas esquimós
de intensa agonia branca
e com o perfume característico
das belas flores de cristal do Ártico.
as flores que te envio agora
por uma espécie de correio mental da madrugada.
espero que chegue em tuas mãos de seda
esta carta inviável.
Que possa lê-la com os olhos,
com a ponta dos dedos,
com sinalizadores para navios à deriva,
com Champollion a seu lado
e outros tantos decifradores de enigmas
que pareciam insolucionáveis.
aqueles que sabem todos relevos lunares,
que passam luas e luas
alisando as costas mais obscuras,
por onde os telescópios não se atrevem.
eu não sei escrever com palavras
mas,com memorabílias internas
e enquanto alguém lê estas fotos,
estas paredes forradas de calendas gregas
a água sobe e oculta meus passos,
as rosas partem de degraus aos saltos,
sentidos adormecem
e sinto luvas internas de raios,
deixando meus dedos iluminados pelo gás neon.
Sou uma instalação de Dan Flavin
e espero que não exploda.
Mas,se eu explodir
meus estilhaços voarão longe,
alcançarão algum desavisado pedestre
pelas hordas da noite
e serei eu
fragmentos de uma psicanálise do fogo
enquanto os degraus de Veneza vão desaparecendo.
segunda-feira, 20 de abril de 2009
EBURNUM(Prelúdio)
dentro de cada homem reside um monstro de pedra,
escondido nas dobras de penhascos seculares,
de montes de lixo,de escamas escorregadias,
vícios pantanosos,de promessas infundadas,
sorrisos que se desintegram facilmente contra a luz,
com suas cicatrizes,senhas para um outro tempo,
fendas,passagens,relevos acidentados,vítimas,presas e atentados
e um coração vazio, desfiladeiro de ecos ensurdecedores recorrentes
que movem gigantescas pedras para baixo com tamanha velocidade e violência
soterra cidades inteiras e vidas são devastadas impiedosamente por seus caprichos...
escondido nas dobras de penhascos seculares,
de montes de lixo,de escamas escorregadias,
vícios pantanosos,de promessas infundadas,
sorrisos que se desintegram facilmente contra a luz,
com suas cicatrizes,senhas para um outro tempo,
fendas,passagens,relevos acidentados,vítimas,presas e atentados
e um coração vazio, desfiladeiro de ecos ensurdecedores recorrentes
que movem gigantescas pedras para baixo com tamanha velocidade e violência
soterra cidades inteiras e vidas são devastadas impiedosamente por seus caprichos...
domingo, 12 de abril de 2009
A MAIOR E A MENOR DISTÂNCIA É A DA MENTE
as mãos navegam,envelope de algas flutuando,as palavras se molham em finas camadas,borram e se dissolvem,se marmorizam,tingindo a água com o sangue das cores escondidas.Sou eu que dissolvo,minha epiderme marinha deságua nas proximidades do cais onde um desfile de memórias passam abrindo a estação do desprendimento,meu corpo boia nas margens do esquecimento e todas as palavras escapam sem nenhuma finalidade conhecida,elas partem pra longe,pro enigmático,pro jamais sido,cartas endereçadas à ninguém e a todos,os que nunca viram meus olhos e os que já estão cansados de me ver presente.Máquinas de escrever são pássaros que vão estalando seus ossos entre os sentimentos,arbustos de fácil combustão.Sou uma ilusão como qualquer um de nós.Estamos sempre juntos,descendo o anfiteatro até a cratera,nosso paraíso é derreter para a posteridade.Enquanto isso as mãos flanam pelas ruas de leite e clorofórmio,pelas estradas de vinho e damasco,pelas alamedas de sangue e esperma,pelas encruzilhadas no dia em que os véus ficam mais tênues entre os vivos e os mortos.as mãos navegam através de antenas,do ar,fios e cabos,vidros,oceanos,montanhas,espelhos,viagens siderais de puro desejo,elas queimam sem saber,circulam num ato profundo e transcendental ,se cruzam pelas ondas e radiações do longe perto.
NÃO TENHA MEDO DOS CATACLISMAS
alguém
abre a porta do seu quarto,
alguém que queima.
bólide,
adentrando
sua atmosfera densa
pela penumbra.
suas mãos possuem
cirros envoltos,
suas mãos agora
são o céu cobalto
&
o sol passeia
solto e alto,
furioso
entre seus dedos de areia.
os raios dançam em suas palmas,
mas,não tenha medo dos cataclismas
&
se um eclipse de repente
aparecer
sobre as linhas do seu destino,
se equilibrando
entre os edifícios espelhados.
ele não quer ficar para sempre,
não vai ficar para sempre.
só quer passar por você,
algo sem nome quer
lhe conhecer
pelos seus mais
estreitos interstícios.
alguém
queima a porta
&
derrete o trinco
quando o toca.
mesmo por descuido
o metal entorta,
com a força da mente,
com a força do ente
&
seu magnetismo lhe atrai,
uma metralhadora giratória
a sorrir em pleno dies irae.
abre a porta do seu quarto,
alguém que queima.
bólide,
adentrando
sua atmosfera densa
pela penumbra.
suas mãos possuem
cirros envoltos,
suas mãos agora
são o céu cobalto
&
o sol passeia
solto e alto,
furioso
entre seus dedos de areia.
os raios dançam em suas palmas,
mas,não tenha medo dos cataclismas
&
se um eclipse de repente
aparecer
sobre as linhas do seu destino,
se equilibrando
entre os edifícios espelhados.
ele não quer ficar para sempre,
não vai ficar para sempre.
só quer passar por você,
algo sem nome quer
lhe conhecer
pelos seus mais
estreitos interstícios.
alguém
queima a porta
&
derrete o trinco
quando o toca.
mesmo por descuido
o metal entorta,
com a força da mente,
com a força do ente
&
seu magnetismo lhe atrai,
uma metralhadora giratória
a sorrir em pleno dies irae.
sexta-feira, 10 de abril de 2009
TUDO É FEITO ANTES
Bem antes do mundo abrir sua pele,
a ponte elevadiça dança kundaliniana
com seus carros de vermute.
No território árido da memória
arde o silêncio dos pneus de gelo.
Caem dos degraus as avenidas insones,
vespas transitam por dentro dos sinos
da metrópole em sã descida
ao crepuscular domínio das antenas desconexas
e cristalinas dos temporais.
Caem os sinos,transformando-se em vinho,sangue,
paixão troglodita das ruínas
que tomam forma de grandes gladiadores.
Tudo é feito antes,até mesmo os tremores não são fait accompli.
Fios de água promovem doces curtos-circuitos na pele solar,
onde os cataclismas não são catástrofes,são carinhos atômicos.
Tudo é feito antes, até mesmo os rompantes de fúria,
dos roncos ensurdecedores do estômago dos padres
por mariposas em leite fresco,
bem antes ainda o fogo-cruzado das Plêiades,
bem antes o desaceleramento das párticulas,
as ferrovias circunvesuvianas rasgam o estrada
que leva e leva ao jardim dos centauros.
Bem antes das mordaças se atarem às palavras,
sequestrando o gosto do sumo livre e ininterrupto.
Bem antes de todos os sonhos mais primitivos,mais futuros.
Bem antes do primeiro piscar de olhos,
do primeiro desarme,da primeira ilusão de óptica,da primeira ilusão.
Os krakens lambém os barcos há tanto tempo,
templários lambém sapos,
os parques de diversões estão dentro das mandalas,
montanha-russa cheia de haxixins
e vamos subindo até o alto da montanha em transe
bem antes de tudo que é inconcebível.
a ponte elevadiça dança kundaliniana
com seus carros de vermute.
No território árido da memória
arde o silêncio dos pneus de gelo.
Caem dos degraus as avenidas insones,
vespas transitam por dentro dos sinos
da metrópole em sã descida
ao crepuscular domínio das antenas desconexas
e cristalinas dos temporais.
Caem os sinos,transformando-se em vinho,sangue,
paixão troglodita das ruínas
que tomam forma de grandes gladiadores.
Tudo é feito antes,até mesmo os tremores não são fait accompli.
Fios de água promovem doces curtos-circuitos na pele solar,
onde os cataclismas não são catástrofes,são carinhos atômicos.
Tudo é feito antes, até mesmo os rompantes de fúria,
dos roncos ensurdecedores do estômago dos padres
por mariposas em leite fresco,
bem antes ainda o fogo-cruzado das Plêiades,
bem antes o desaceleramento das párticulas,
as ferrovias circunvesuvianas rasgam o estrada
que leva e leva ao jardim dos centauros.
Bem antes das mordaças se atarem às palavras,
sequestrando o gosto do sumo livre e ininterrupto.

Bem antes de todos os sonhos mais primitivos,mais futuros.
Bem antes do primeiro piscar de olhos,
do primeiro desarme,da primeira ilusão de óptica,da primeira ilusão.
Os krakens lambém os barcos há tanto tempo,
templários lambém sapos,
os parques de diversões estão dentro das mandalas,
montanha-russa cheia de haxixins
e vamos subindo até o alto da montanha em transe
bem antes de tudo que é inconcebível.
MONTE DE VÊNUS OU JÚPITER
É dificil saber
de onde vem
aquele vapor
que inebria
e te atinge
de forma contumaz,
rasgando a fronte,
deixando seu ser
completamente aberto e vulnerável.
É como viesse de repente um raio,
uma faca à laser,
fazendo uma operação no seu espírito
e plantando no lugar do coração
os lábios e a essência de alguém
que você jura jamais ter visto em sua vida
e aí você sente,você vê que esse sentimento
te leva como se você fosse um vaso oriental carregado de peixes,
levado por aquela
que atravessa a ponte
mesmo enquanto as Górgonas
lambem seus pés no Lete
em plena tempestade cerebral.
Nada é por acaso,nem mesmo as quimeras.
Ela ousa atingir a paz ao lado de Marte.
de onde vem
aquele vapor
que inebria
e te atinge
de forma contumaz,
rasgando a fronte,
deixando seu ser
completamente aberto e vulnerável.
É como viesse de repente um raio,
uma faca à laser,
fazendo uma operação no seu espírito
e plantando no lugar do coração
os lábios e a essência de alguém
que você jura jamais ter visto em sua vida
e aí você sente,você vê que esse sentimento
te leva como se você fosse um vaso oriental carregado de peixes,
levado por aquela
que atravessa a ponte
mesmo enquanto as Górgonas
lambem seus pés no Lete
em plena tempestade cerebral.
Nada é por acaso,nem mesmo as quimeras.
Ela ousa atingir a paz ao lado de Marte.
segunda-feira, 6 de abril de 2009
AO QUE VEM PELO TÚNEL
Seus pequeninos pés reservam
portas batentes nas solas,
e eles levantam zepelinianos voos
por águas brancas,
levitam sobre vilas,
inundam cidades,
revirando oceanos,
abrindo caixas de Pandora,
pétalas,pagodes,escamas,tempestades,
vinhedos,cumes,abóbodas,
até chegar aqui,pelo túnel.
São asas purpúreas que se abrirão
assim como teus olhos de repente
que abrirão clareiras, que são clareiras,
que são raios,nuvens ionizadas
que são a própria claridade,a grande ilusão,
explosão de bomba H.,
campo dos sonhos minado
levando tudo pelos ares
sem pedir licença.
portas batentes nas solas,
e eles levantam zepelinianos voos
por águas brancas,
levitam sobre vilas,
inundam cidades,
revirando oceanos,
abrindo caixas de Pandora,
pétalas,pagodes,escamas,tempestades,
vinhedos,cumes,abóbodas,
até chegar aqui,pelo túnel.
São asas purpúreas que se abrirão
assim como teus olhos de repente
que abrirão clareiras, que são clareiras,
que são raios,nuvens ionizadas
que são a própria claridade,a grande ilusão,
explosão de bomba H.,
campo dos sonhos minado
levando tudo pelos ares
sem pedir licença.
LOGO...
o vento cobre,a toalha do nada,
leva o palácio de cristal
e eu não te vejo mais.
não sei se é mágica ou azar
ou displiscência da luz,
a agonia branca desse falso ártico
toma de conta o ar
e balança meus olhos
nesse berço da inconsciência,
uma babá lunar me nina.
As duas faces que rosronam
e arranham a calma,
o dorso nú do tempo
me convida a se inclinar
e cavalgar a maré alta
que vem do suor de Nemesis,
que não vem me julgar
por amar tanto o fogo
e tão pouco o mar.
leva o palácio de cristal
e eu não te vejo mais.
não sei se é mágica ou azar
ou displiscência da luz,
a agonia branca desse falso ártico
toma de conta o ar
e balança meus olhos
nesse berço da inconsciência,
uma babá lunar me nina.
As duas faces que rosronam
e arranham a calma,
o dorso nú do tempo
me convida a se inclinar
e cavalgar a maré alta
que vem do suor de Nemesis,
que não vem me julgar
por amar tanto o fogo
e tão pouco o mar.
quarta-feira, 1 de abril de 2009
SAÍDAS FALSAS & PEIXES ELETROCUTADOS
Seria prazeroso
Ver suas pequenas mãos de narciso-dos-prados,
Bólides escorrendo no canto da boca do lixo
Dos cineastas da atmosfera densa
Ao nascer da esfinge aurora,
Nos Campos Elísios Egípcios,
Por esgotos nilistas e seus interfluxos.
Atadas ao seu corpo comitê,
Cúmplice de deliciosos mal-tratos
Num frenético bondage sem anistia,
Arrastado por centauros de neon
Ou por fantasmas de bondes errantes,
Içado por teleféricos de longos bigodes sobre os alpes,
Fusíveis de zilhões de ampéres pulsantes,
Tartarugas se delicando com o líquen de árvores triangulares,
Peixes eletrocutados envoltos em papel alumínio,
As cordas apertando seus mamilos lambidos
Por camelos e tuaregues espasmódicos
Em plena tempestade de areia e lençóis brancos
Marcando sua pele com sua permissão e dos upanishads.
Na alcova a explorar suas lendárias crateras
Tão temidas e tão sonhadas
Num misto de desejo e apreensão,
Seus olhos levemente se entregando,
Representação da alma,
De êxtase e estigma ao seu senhor
Sem nenhuma razão
Sendo levado por uma correnteza,
Ou quem sabe uma torrente violenta
De seixos, arbustos e galhos.
Pensar em você como Andrômeda,
Nua,acorrentada numa pedra na orla,
Esperando Perseu libertá-la.
Quero te ver erguida
Não só por meu guindaste de nervos.
Eu sei,te levo as nuvens com minha escada magirus.
Mas,o que eu realmente quero é ver teus olhos brilhando,
Leais à minha crueldade.
Não porque o fogo te consome
Mas,sim porque você não acredita mais em saídas falsas
Ver suas pequenas mãos de narciso-dos-prados,
Bólides escorrendo no canto da boca do lixo
Dos cineastas da atmosfera densa
Ao nascer da esfinge aurora,
Nos Campos Elísios Egípcios,
Por esgotos nilistas e seus interfluxos.
Atadas ao seu corpo comitê,
Cúmplice de deliciosos mal-tratos
Num frenético bondage sem anistia,
Arrastado por centauros de neon
Ou por fantasmas de bondes errantes,
Içado por teleféricos de longos bigodes sobre os alpes,
Fusíveis de zilhões de ampéres pulsantes,
Tartarugas se delicando com o líquen de árvores triangulares,
Peixes eletrocutados envoltos em papel alumínio,
As cordas apertando seus mamilos lambidos
Por camelos e tuaregues espasmódicos
Em plena tempestade de areia e lençóis brancos
Marcando sua pele com sua permissão e dos upanishads.
Na alcova a explorar suas lendárias crateras
Tão temidas e tão sonhadas
Num misto de desejo e apreensão,
Seus olhos levemente se entregando,
Representação da alma,
De êxtase e estigma ao seu senhor
Sem nenhuma razão
Sendo levado por uma correnteza,
Ou quem sabe uma torrente violenta
De seixos, arbustos e galhos.
Pensar em você como Andrômeda,
Nua,acorrentada numa pedra na orla,
Esperando Perseu libertá-la.
Quero te ver erguida
Não só por meu guindaste de nervos.
Eu sei,te levo as nuvens com minha escada magirus.
Mas,o que eu realmente quero é ver teus olhos brilhando,
Leais à minha crueldade.
Não porque o fogo te consome
Mas,sim porque você não acredita mais em saídas falsas
sábado, 28 de março de 2009
VÉSPERA
A véspera nunca vai embora,
mesmo que seja já silêncio na morada dos tigres e dos besouros.
O vento não está tão zangado,
ele não tem mais a fúria necessária no olhar
mas, ele sabe ser implacável.
Ele retira a véspera de cena e a apunhala atrás das cortinas.
Ela agoniza beijando seus pés,
ela dança freneticamente,
espasmos e chicotes sensoriais,
tirando fotografias em pleno temporal.
Alguém chuta o horizonte flamejante
nos cabelos da virgem nos vitrais de alguém.
A véspera sangra,
o novo dia lhe morde fortemente a testa,
buscando uma saída falsa
para o cortejo das enguias na bacia das almas.
A brutalidade da cor na tez dos sacrificados e seus terços
engolidos pelo buraco do beijo negro.
A véspera vai ao sanatório
após riscar seu corpo com estrelas pontiagudas e afiadas,
procurando sinais sagrados num bondage
onde as cordas são os minutos que faltam
para o impossível delírio.
Ninguém vê seu jovem corpo voltado para a mesquita
num misto de adoração e perplexidade.
Na câmara azteca a véspera se retorce,
voltando a cena muda que se comunica
através de postais e colagens,
oráculos de um insólito amanhecer.
A véspera reconhece a Ocasião,
conversando com o momento inesperado
tentando convencê-la a se despir
antes que anoiteça mais uma vez.
mesmo que seja já silêncio na morada dos tigres e dos besouros.
O vento não está tão zangado,
ele não tem mais a fúria necessária no olhar
mas, ele sabe ser implacável.
Ele retira a véspera de cena e a apunhala atrás das cortinas.
Ela agoniza beijando seus pés,
ela dança freneticamente,
espasmos e chicotes sensoriais,
tirando fotografias em pleno temporal.
Alguém chuta o horizonte flamejante
nos cabelos da virgem nos vitrais de alguém.
A véspera sangra,
o novo dia lhe morde fortemente a testa,
buscando uma saída falsa
para o cortejo das enguias na bacia das almas.
A brutalidade da cor na tez dos sacrificados e seus terços
engolidos pelo buraco do beijo negro.
A véspera vai ao sanatório
após riscar seu corpo com estrelas pontiagudas e afiadas,
procurando sinais sagrados num bondage
onde as cordas são os minutos que faltam
para o impossível delírio.
Ninguém vê seu jovem corpo voltado para a mesquita
num misto de adoração e perplexidade.
Na câmara azteca a véspera se retorce,
voltando a cena muda que se comunica
através de postais e colagens,
oráculos de um insólito amanhecer.
A véspera reconhece a Ocasião,
conversando com o momento inesperado
tentando convencê-la a se despir
antes que anoiteça mais uma vez.
O SEIO DO SEGREDO
Era uma planta carnívora
que de tão obscura
me fechava
os olhos mais nítidos
com nenhuma palavra
só a aproximação
já catalizava
as armadilhas mais pantanosas,
queria meu pé,meu coração,
todas as instituições
para sentimentos rejeitados
que haviam em minha cidade sem sol.
E eu vi você
arrastando várias cidades,
sorvendo ansiedades,tufão
e aí veio
a claridade só.
Holocausto,um hausto cáustico,fausto,
mefistófeles,voragens devoram
todos os significados
deixando
apenas insignificantes.
Projéteis vermelhos
rasgam o espaço
entre dois corpos na penumbra,
o desejo abre os olhos abismais.
Sorvi seus humores
enquanto você entornava
sua nudez egípcia
pelos meus lábios etruscos,
vasos quebrados,
que você colou de volta
pedaço por pedaço,
o esconderijo de minha revolta hedonista,
novamente intacto.
que de tão obscura
me fechava
os olhos mais nítidos
com nenhuma palavra
só a aproximação
já catalizava
as armadilhas mais pantanosas,
queria meu pé,meu coração,
todas as instituições
para sentimentos rejeitados
que haviam em minha cidade sem sol.
E eu vi você
arrastando várias cidades,
sorvendo ansiedades,tufão
e aí veio
a claridade só.
Holocausto,um hausto cáustico,fausto,
mefistófeles,voragens devoram
todos os significados
deixando
apenas insignificantes.
Projéteis vermelhos
rasgam o espaço
entre dois corpos na penumbra,
o desejo abre os olhos abismais.
Sorvi seus humores
enquanto você entornava
sua nudez egípcia
pelos meus lábios etruscos,
vasos quebrados,
que você colou de volta
pedaço por pedaço,
o esconderijo de minha revolta hedonista,
novamente intacto.
sexta-feira, 27 de março de 2009
A ATLANTE
Ei você,que carregas o mundo,
Me dê alguns continentes!
Pode ser aquele com mais desnutridos,
Pode ser aquele com mais suicidas.
Aquele com os monumentos mais pesados
de cargas e espectros.
O que tem o Menir do Pavor
E outras gigantescas estátuas
Sob ameaçadoras nuvens
Desde o início dos tempos.
Início da tempestade rubicunda.
O que tem mais arranha-céus
estupra-céus.
Estupra belas bucetas de nuvens
E elas gozam chuva torta
chuva caos
chuva áspera
chuva médula-óssea
chuva medo de isopor
chuva dor e sol
chuva vinho
chuva vinagre
chuva dor
chuva dor
chuva dor.
Me dê alguns continentes!
Pode ser aquele com mais desnutridos,
Pode ser aquele com mais suicidas.
Aquele com os monumentos mais pesados
de cargas e espectros.
O que tem o Menir do Pavor
E outras gigantescas estátuas
Sob ameaçadoras nuvens
Desde o início dos tempos.
Início da tempestade rubicunda.
O que tem mais arranha-céus
estupra-céus.
Estupra belas bucetas de nuvens
E elas gozam chuva torta
chuva caos
chuva áspera
chuva médula-óssea
chuva medo de isopor
chuva dor e sol
chuva vinho
chuva vinagre
chuva dor
chuva dor
chuva dor.
O CORREDOR NÚ
Entre atropelos e vozes,vou adentrando teus apelos,
me encosto em tua aparição,
serpente dinâmica,flor tangerina e embevecido me acho,me perco
enlaçado por teus tentáculos,ricos em pedras,ágatas magnéticas
e minhas escamas vão se descascando sob o sol de Júpiter.
Não tenho tempo nesse corredor,onde as luzes são fantasmas num cinema sem cortes.
Me encaixo em uma cadeira dos sonhos,imagino cenas de outros festivais,
gente que já saiu em plena projeção,gente que entrou na tela e jamais saiu,
que presenciou incêndios naquele lugar público.
Um noite longa sem colibris se aproxima me dá um beijo de boa sorte
e parte e em dezessete raios, fulge.
Estou no deserto do meu ser,no Ártico.
Uma flor do àrtico sem escamas,sem entardecer nas Tordesilhas,
a calentura arde na fronte,abrem-se portos e vejo o Colosso cair no mar.
Me afogo em brasa enquanto a boca mole de alguma sombra cai do pé de uma árvore,
onde tantos já perderam seus pescoços e me deito.
Perambulo pelo parque à caça de algum terçol que me livre do engano da luz imediata.
Ela sempre custa chegar.
Vejo o silêncio chegar e me oferecer doces gritos que só eu ouço,
um buquê de clematites que é um reino distante e que tenho nas mãos.
A parede se descongela enquanto corro nú pelo teu corredor,
as estalagmites e estactites tem sabor de estigmas.
Abro um livro e encontro o nariz de Cleopatra.
Vou até o mercado de pulgas e o vendo.
Ganho um chapéu vermelho cheio de vertigens.
Vomito estrelas e elas formam nebulosas.
Recupero minhas escamas e abraço o sal.
Uma melodia invade meus pés vinda de um daguerreotipo
que ilustra o chão em sépia.
São seus dentes que me acordam,me recordam de que chão não há então.
O haxixe percorre meu sangue enquanto percorro,
me perco e corro de mim mesmo
mas, o meu eu,que jamais foge, sempre me surpreende nesse jardim.
O verde é agitado,um leque nas mãos de alguém,um terremoto,
rodas descem,se desprendem do crânio e vão as compras
e evaporam-se todos os turbilhões,algodões elefantes em fila indiana sobre os céus de Calcutá.
me encosto em tua aparição,
serpente dinâmica,flor tangerina e embevecido me acho,me perco
enlaçado por teus tentáculos,ricos em pedras,ágatas magnéticas
e minhas escamas vão se descascando sob o sol de Júpiter.
Não tenho tempo nesse corredor,onde as luzes são fantasmas num cinema sem cortes.
Me encaixo em uma cadeira dos sonhos,imagino cenas de outros festivais,
gente que já saiu em plena projeção,gente que entrou na tela e jamais saiu,
que presenciou incêndios naquele lugar público.
Um noite longa sem colibris se aproxima me dá um beijo de boa sorte
e parte e em dezessete raios, fulge.
Estou no deserto do meu ser,no Ártico.
Uma flor do àrtico sem escamas,sem entardecer nas Tordesilhas,
a calentura arde na fronte,abrem-se portos e vejo o Colosso cair no mar.
Me afogo em brasa enquanto a boca mole de alguma sombra cai do pé de uma árvore,
onde tantos já perderam seus pescoços e me deito.
Perambulo pelo parque à caça de algum terçol que me livre do engano da luz imediata.
Ela sempre custa chegar.
Vejo o silêncio chegar e me oferecer doces gritos que só eu ouço,
um buquê de clematites que é um reino distante e que tenho nas mãos.
A parede se descongela enquanto corro nú pelo teu corredor,
as estalagmites e estactites tem sabor de estigmas.
Abro um livro e encontro o nariz de Cleopatra.
Vou até o mercado de pulgas e o vendo.
Ganho um chapéu vermelho cheio de vertigens.
Vomito estrelas e elas formam nebulosas.
Recupero minhas escamas e abraço o sal.
Uma melodia invade meus pés vinda de um daguerreotipo
que ilustra o chão em sépia.
São seus dentes que me acordam,me recordam de que chão não há então.
O haxixe percorre meu sangue enquanto percorro,
me perco e corro de mim mesmo
mas, o meu eu,que jamais foge, sempre me surpreende nesse jardim.
O verde é agitado,um leque nas mãos de alguém,um terremoto,
rodas descem,se desprendem do crânio e vão as compras
e evaporam-se todos os turbilhões,algodões elefantes em fila indiana sobre os céus de Calcutá.
domingo, 15 de março de 2009
ROTEIRO ONÍRICO DA VILA ITORORÓ
Um vislumbre.
em algum dos vórtices ela se encontrava presa
até se derramar da fonte de dentro do ar
e ser forjada diante de meus olhos,
as esculturas que sobraram,
leões despedaçados
pelo grito em alto-volume
do descaso e da devastação natural dos sentidos.
ela,carcassa,navio fantasma
nos escombros da memória,
acariciando as pedras
e o terreno baldio
traz à tona suas colunas etruscas,
suas pernas
com seus mitos gregos nas laterais,
vermes subindo a encosta de uma montanha
até beijar o sol invicto.
foi no dia da lembrança que eu a vi,
pequeno labirinto de Cnossos.
perdido no eldorado dos pauis,
no lodo infestado de carros,
lâminas de barbear
e sonâmbulos tigres e táxis
sob uma chuva imóvel e oblíqua
cortando os estupra-céus.
um casco encalhado
às margens da loucura
por onde trespassam os corredores ávidos
de ondas,dragas
que possam levá-lo às últimas consequências.
os portões derretidos pela chama do silêncio
que borda a boca dos desfiladeiros
sem eco.
então eu atravesso,desço as escadas do desencontro,
sem degraus,apenas suntuosa neblina
que inebria e transfigura a paisagem
dos sonhos mais inflexíveis
e vejo os mastros sem suas vendas
após o fuzilamento dos carros
e alguém assopra as velas num canto do universo
e se engasga com os vapores escondidos
dentro do bolso do ciclope
que é o Templo de Delfos.
o desregramento é inevitável
ao mirar o degelo daquele iceberg de bronze
ruminando ao longe
com suas cascas douradas de biga do auriga
que chega e entrega sua prisioneira Aurora Boreal
que no limiar de toda manhã regurgita
diante do meu imóvel metafísico
essa estranha casa surrealista
no beco do esquecimento.
Eu vivo na Vila Itororó e ela vive dentro de mim.
um leviatã corroído pela mais vasta draga
que assolou os céus de uma bela vista,
dando a mais bela e inesperada distorção
pelo caminho mais secreto e aberto.
a secreção das palavras menos proferidas
pelas sete mil bocas aos sete ventos
e ela corroe os sentidos por onde passa
besouro e bezerro de ouro
cravada jóia no crânio da metrópole babilônica.
lá vi Gradiva,seu leve andar de lança-chamas,
Joelma e Joana também passam por lá,
musas incendiárias de Paul Delvaux
que me abraçam,me abrasam,
sonho recheado de fantasmas.
Palácio Ideal de um luso Cheval,
a grande caixa de fósforos
onde são riscadas nossa órbitas
que apresentam-se vazias
mas,que sempre guardam faróis invisíveis.
sábado, 14 de março de 2009
LETÍCIA
Sinto e simultaneamente vejo
de relance como um relâmpago
alguém levando minha cabeça,
pelo Tâmisa, Estige ou Amazonas,
até perder o fôlego,
talvez para um mercado submerso
vou sendo levado verso após verso.
Não sou prêmio que eu saiba.
Sem bandeja pois,não vejo Salomé,
nem ouço sua risada.
Nem me sinto João Batista ou outro santo qualquer.
Não sinto seu perfume de princesa
mas,sei que ela dança para que eu me esqueça
e volte a ser criança com certeza.
Todos os meus membros cansados da última vida.
Nem bem me lembro como encontrei a saída.
Minha mente levemente para baixo,
para mergulhar meus cabelos,ouvidos e outros labirintos íntimos.
Para regar meus vasos sanguíneos
no meu parapeito onde um sonâmbulo enamora a lua
e numera as estrelas
mas,no fundo ele sabe
que nenhuma realmente é sua.
Para que meu minotauro,meu irmão,meu filho
e outros monstros arquetípicos
possam descobrir o brilho das águas
mais tranquilas do que as do Nilo,
mais lívidas do que as do Ganges,
mais profundas do que o Amazonas
e onde se banha Letícia.
de relance como um relâmpago
alguém levando minha cabeça,
pelo Tâmisa, Estige ou Amazonas,
até perder o fôlego,
talvez para um mercado submerso
vou sendo levado verso após verso.
Não sou prêmio que eu saiba.
Sem bandeja pois,não vejo Salomé,
nem ouço sua risada.
Nem me sinto João Batista ou outro santo qualquer.
Não sinto seu perfume de princesa
mas,sei que ela dança para que eu me esqueça
e volte a ser criança com certeza.
Todos os meus membros cansados da última vida.
Nem bem me lembro como encontrei a saída.
Minha mente levemente para baixo,
para mergulhar meus cabelos,ouvidos e outros labirintos íntimos.
Para regar meus vasos sanguíneos
no meu parapeito onde um sonâmbulo enamora a lua
e numera as estrelas
mas,no fundo ele sabe
que nenhuma realmente é sua.
Para que meu minotauro,meu irmão,meu filho
e outros monstros arquetípicos
possam descobrir o brilho das águas
mais tranquilas do que as do Nilo,
mais lívidas do que as do Ganges,
mais profundas do que o Amazonas
e onde se banha Letícia.
sábado, 7 de março de 2009
ODE AOS KRAFT
sem sombra de dúvidas
duas vidas
são apenas
nuvens ardentes.
deuses insertos,
impetulantes insetos
repousam nas pétalas
de um bouquet nuclear
que sonha
ininterruptamente
ao leste de Nagasaki
há duzentos anos.
atrás de suas lentes
cravam seus equipamentos,
suas pernas,articulações
e sua mente
zen os une,
zune sobre o Unzen
e o tempo nunca
é o tempo sempre.
lenta,escura,imensa
busca pelo brusco
os tornam monges
e ao longe
tão evidente
a sombra se forma
no estômago do Titã,
à espera do Satori
koans ecoam,
placas implacáveis,
escoam
à duzentos kilômetros
por hora.
a grande gargalhada,
o sarcasmo
da espada de vapor
sorriu seus pulsos,
cessou suas
respirações e obsessões
com fluxos piroclásticos
em minutos.
sopro de ar quente
adentra
a porta dos pulmões,
o veneno de Magritte
transferiu seus sentidos
definitivamente
e sua mente
zen os une
zune sob o Unzen
em unísono
e o tempo sempre
é o tempo nunca.
sonhos ardentes
chegam
ao Monte Olympia,
num xeque-Marte,
levados
pela Morte
na sequência final.
o templário
não foge do lance,
o tempo fogo foge,
vê sua mão
movendo
e desliza
a rainha de enxôfre
pelo tabuleiro de nervos
que logo entorna
suas peças flutuantes.
Kurosawa e Bergman
selam o sétimo selo samurai
refilmado
em 3 de junho de 1991.
À Maurice & Kátia Kraft,
vulcanologistas fotógrafos
que foram surpreendidos
pelo despertar do Monte Unzen,
na península de Shimabara
In Memorium.
domingo, 8 de fevereiro de 2009
OS ANOS VERDES
Desconexo
ouço em conchas o desabrochar dos cavalos-lírios,
girando enlouquecidos, com lamparinas lânguidas
em suas árcades retinas,
pavios bailarinos, maçãs com espartilhos dançam no eixo da terra
enquanto caminho tuaregue
arrastando barcos
pelo deserto da incerteza em meus anos verdes.
Penetro pela água quente agora outros planetas desconhecidos,
onde os pés são severamente pulverizados ao primeiro contato
pelos cataclismas naturais
e os corações esmagados pela gravidade sem lei,
moscas neste mundo e luas inocentes
retiradas das unhas de mercúrio,
transformando dias
em máscaras do tempo,
que um dia serão retiradas também.
Haverá um vão
onde se mostrarão todos os minutos
como sulcos em sua visagem ,que abarca todos os acontecimentos
desde o início de sua contagem
e quem a iniciou,quem ouviu o estalo da grande explosão
em sua casa, em uma das asas de Fênix na colina primordial
foi o primeiro osso lançado à cérbero
e quem o lançou deu início à morte
e seu ritual.
ouço em conchas o desabrochar dos cavalos-lírios,
girando enlouquecidos, com lamparinas lânguidas
em suas árcades retinas,
pavios bailarinos, maçãs com espartilhos dançam no eixo da terra
enquanto caminho tuaregue
arrastando barcos
pelo deserto da incerteza em meus anos verdes.
Penetro pela água quente agora outros planetas desconhecidos,
onde os pés são severamente pulverizados ao primeiro contato
pelos cataclismas naturais
e os corações esmagados pela gravidade sem lei,
moscas neste mundo e luas inocentes
retiradas das unhas de mercúrio,
transformando dias
em máscaras do tempo,
que um dia serão retiradas também.
Haverá um vão
onde se mostrarão todos os minutos
como sulcos em sua visagem ,que abarca todos os acontecimentos
desde o início de sua contagem
e quem a iniciou,quem ouviu o estalo da grande explosão
em sua casa, em uma das asas de Fênix na colina primordial
foi o primeiro osso lançado à cérbero
e quem o lançou deu início à morte
e seu ritual.
DESIDERATA
Áspera espera por quem,pelo o que?
A cada minuto ela se torna mais angustiante e mais longa.
Dias fora do calendário maya,fora de qualquer calendário,
Dias que só existem aqui.
As paredes se congelam,se liquefazem,se evaporam,voltam a ser gelo,
Gelo inóspito,gelo insólito.
A esperança na orla acorrentada,de alguma praia em uma estrela já esfriada.
Algum ventre estranho envolve arranha-céus metálicos,aracnídeas metrópoles
Subindo colinas íngremes como a face sul do Aconcágua.
Acaricando tetricamente o rosto perplexo
de um anjo refém de sua própria vontade negada
Pela sombra da integridade.
Suas pernas delgadas e quebradiças esperam o sopro que venha estilhaçar
A mentira de sua estrutura glacial,num beco refratário de cristais.
O frio do espaço e o desejo sideral de ver além pela penumbra,
pela gelosia da janela anacrônica
O grande vômito de Galactus,devolvendo os olhos hialóideos aos exploradores dos astros
Que sofrem de horror ao vazio e sonham com novas explosões de cápsulas
trazendo à tona flores supernovas ao jardim negro de Okeanos.
A cada minuto ela se torna mais angustiante e mais longa.
Dias fora do calendário maya,fora de qualquer calendário,
Dias que só existem aqui.
As paredes se congelam,se liquefazem,se evaporam,voltam a ser gelo,
Gelo inóspito,gelo insólito.
A esperança na orla acorrentada,de alguma praia em uma estrela já esfriada.
Algum ventre estranho envolve arranha-céus metálicos,aracnídeas metrópoles
Subindo colinas íngremes como a face sul do Aconcágua.
Acaricando tetricamente o rosto perplexo
de um anjo refém de sua própria vontade negada
Pela sombra da integridade.
Suas pernas delgadas e quebradiças esperam o sopro que venha estilhaçar
A mentira de sua estrutura glacial,num beco refratário de cristais.
O frio do espaço e o desejo sideral de ver além pela penumbra,
pela gelosia da janela anacrônica
O grande vômito de Galactus,devolvendo os olhos hialóideos aos exploradores dos astros
Que sofrem de horror ao vazio e sonham com novas explosões de cápsulas
trazendo à tona flores supernovas ao jardim negro de Okeanos.
sábado, 7 de fevereiro de 2009
FELTRO
Certa vez me disseram
que a porta do inferno era feita de feltro.
Certa vez me disseram
que as angústias do peixe-elétrico vem de sua alta-tensão
e seu desejo de encontrar algum pirotécnico
que descubra sua vocação de fogo-de-artifício.
E o tire dos domínios marinhos
e das lembranças de assassinatos despropositais,
como Diana,a caçadora
e propositais como Erik,o Vermelho.
Certa vez me disseram que haviam duas portas,
uma de chifre outra de marfim
e eu teria que escolher por qual eu haveria de entrar.
Eu fui por aquela
onde eu perderia todos os meus reflexos,da noite e do dia,
por aquela em que são mostradas
as horas em sentido anti-horário e o café-da-manhã
grita em plena madrugada
que os lobos estão mais baixos do que nunca,
com sua pele
que revela ornamentos da porta do inferno
com seu revestimeto de feltro
e vãos licantrópicos.
que a porta do inferno era feita de feltro.
Certa vez me disseram
que as angústias do peixe-elétrico vem de sua alta-tensão
e seu desejo de encontrar algum pirotécnico
que descubra sua vocação de fogo-de-artifício.
E o tire dos domínios marinhos
e das lembranças de assassinatos despropositais,
como Diana,a caçadora
e propositais como Erik,o Vermelho.
Certa vez me disseram que haviam duas portas,
uma de chifre outra de marfim
e eu teria que escolher por qual eu haveria de entrar.
Eu fui por aquela
onde eu perderia todos os meus reflexos,da noite e do dia,
por aquela em que são mostradas
as horas em sentido anti-horário e o café-da-manhã
grita em plena madrugada
que os lobos estão mais baixos do que nunca,
com sua pele
que revela ornamentos da porta do inferno
com seu revestimeto de feltro
e vãos licantrópicos.
OS DESPERTAR DA ROSA CÁLIDA E ACÉFALA OU A SINOPSE DO DIES IRAE
Suas hélices levantam
voos circunflexos
na medida do impossível
por águas brancas,
áreas em que os radares
sofrem lapsos irrecuperáveis,
onde ficam presos
num pesadelo
que acontece recorrentemente
na Rua da Traição.
Ninguém os vê nas zonas erógenas,
julgadas desaparecidas,
cidades devastadas pela peste,
pela maldição
dos que comem asnos bêbados conservados
em potes de lágrimas de sangue feudal.
Ninguém os vê dançando flamenco grego
no sistema nervoso central,
golpeando o destino,
condenando-o ao leng tché
e os cavalos rindo do dia caído
aos seus cascos de barco aveludado
de crinas pelas escarpas crescentes e ingênuas
dos que desviam propositalmente de seus designos ígneos.
voos circunflexos
na medida do impossível
por águas brancas,
áreas em que os radares
sofrem lapsos irrecuperáveis,
onde ficam presos
num pesadelo
que acontece recorrentemente
na Rua da Traição.
Ninguém os vê nas zonas erógenas,
julgadas desaparecidas,
cidades devastadas pela peste,
pela maldição
dos que comem asnos bêbados conservados
em potes de lágrimas de sangue feudal.
Ninguém os vê dançando flamenco grego
no sistema nervoso central,
golpeando o destino,
condenando-o ao leng tché
e os cavalos rindo do dia caído
aos seus cascos de barco aveludado
de crinas pelas escarpas crescentes e ingênuas
dos que desviam propositalmente de seus designos ígneos.
A MÃO ESQUERDA
Um tango repousa como animal imperceptível
entre o fio da navalha e o trampolim.
Lá embaixo gritam as avenidas insaciavelmente:-Pule!Pule!
Tesouras e comprimidos em um prato da balança e o coração,
iguaria de Amitt na outra.
E inalar o músculo do amor se torna uma tarefa imprópria.
Imagino as pessoas olhando pro alto,
onde já não se enxerga mais do que um risco
entre a constelação de Órion e a do Centauro.
Eles os famintos lá embaixo,
com apetite diabólico nos olhos cadafalsos,
torcem pela queda dos amantes,
se equilibrando nas estrelas ainda ocultas para os astrônomos.
Mas,Cocteau já disse que a vida é uma queda horizontal.
E eles vão corroendo por dentro
a estrutura que se pende,
a haste de um helianto,coletor de pólvora ao invés de pólem.
E se veem cegados
pelo fruto que apodrece em suas têmporas.
A polpa dourada no pomar das Hésperides
espera o dia de ser colhida
pela mão esquerda,
onde se vê os lábios do que não se pronuncia.
entre o fio da navalha e o trampolim.
Lá embaixo gritam as avenidas insaciavelmente:-Pule!Pule!
Tesouras e comprimidos em um prato da balança e o coração,
iguaria de Amitt na outra.
E inalar o músculo do amor se torna uma tarefa imprópria.
Imagino as pessoas olhando pro alto,
onde já não se enxerga mais do que um risco
entre a constelação de Órion e a do Centauro.
Eles os famintos lá embaixo,
com apetite diabólico nos olhos cadafalsos,
torcem pela queda dos amantes,
se equilibrando nas estrelas ainda ocultas para os astrônomos.
Mas,Cocteau já disse que a vida é uma queda horizontal.
E eles vão corroendo por dentro
a estrutura que se pende,
a haste de um helianto,coletor de pólvora ao invés de pólem.
E se veem cegados
pelo fruto que apodrece em suas têmporas.
A polpa dourada no pomar das Hésperides
espera o dia de ser colhida
pela mão esquerda,
onde se vê os lábios do que não se pronuncia.
sábado, 17 de janeiro de 2009
FOSSA DAS MARIANAS
Já respirei os vapores que vem das profundezas da Terra,
Já fui sugado pela Fossa das Marianas e estou aqui, embora não pareça.
Já andei por um estreito labirinto de lâminas,
Já fui arrancado de mim mesmo e jogado na masmorra da erraticidade tantas vezes
E nem me lembro ao certo como saí.
Se abri um interstício de dentro do ar,
Se fui vomitado pelas nuvens que viviam nauseabundas
Ou se nasci de novo do maior susto que poderiam dar em um sonâmbulo
Que atravessava a ponte mais alta e estreita
Em alguma aldeia entre montanhas íngremes
De onde os gritos são ouvidos só muitos anos depois.
E é ali onde eles não repousam,
Ali onde o vento é chamado intruso,
Ali onde o caos é mãe e amamenta constantemente com seu líquido delirante
Os que caíram no sono daquele vale esquecido
Até mesmo pela contagem humana das horas,
Onde o sol é ídolo imaginário,
Onde janelas só servem para ensaio de guilhotina,
Ali onde os cães farejam mastros para o estandarte da loucura,
Ali onde eles são cravados para deleite de alguém
Longe onde todos são reis de sua insana idade média.
Já fui sugado pela Fossa das Marianas e estou aqui, embora não pareça.
Já andei por um estreito labirinto de lâminas,
Já fui arrancado de mim mesmo e jogado na masmorra da erraticidade tantas vezes
E nem me lembro ao certo como saí.
Se abri um interstício de dentro do ar,
Se fui vomitado pelas nuvens que viviam nauseabundas
Ou se nasci de novo do maior susto que poderiam dar em um sonâmbulo
Que atravessava a ponte mais alta e estreita
Em alguma aldeia entre montanhas íngremes
De onde os gritos são ouvidos só muitos anos depois.
E é ali onde eles não repousam,
Ali onde o vento é chamado intruso,
Ali onde o caos é mãe e amamenta constantemente com seu líquido delirante
Os que caíram no sono daquele vale esquecido
Até mesmo pela contagem humana das horas,
Onde o sol é ídolo imaginário,
Onde janelas só servem para ensaio de guilhotina,
Ali onde os cães farejam mastros para o estandarte da loucura,
Ali onde eles são cravados para deleite de alguém
Longe onde todos são reis de sua insana idade média.
segunda-feira, 12 de janeiro de 2009
VISLUMBRES
É quase imperceptível a força estática da mão fina que toca a xícara
como se bicasse o tronco de uma árvore adormecida na bruma da manhã,
um planeta-dervixe que gira em seu próprio eixo em colóquio
com aquele que vive acima das sete camadas,
uma nuvem de morfina que desce as veias da cidade ,
o imperador que suavemente toma sua última taça
e caminha para dentro do lago,
adentrando o vislumbre de uma garça
que na verdade é uma sala branca
dentro de um nenúfar nascido da dúvida
do soldado que persegue a lua
com sua rede de caçar borboletas
e aparece Angkor Wat ou Tirgu-Jiu á sua frente
e é essa a arte de encontrar sem esperar coisas valiosas ou admiráveis.
Uma cidade perdida ou proibida com suas cúpulas prata cobertas parcialmente por líquem,
uma cortina de cor de absinto onde certamente alguém toma sua forma
e possui levemente seu tecido sorvendo-o ,
onde repousa um reino-rio celifluente
e ele derrama sua paisagem,
sua lavanderia indonésia
pelo quarto onde dorme uma estátua do Ceilão.
como se bicasse o tronco de uma árvore adormecida na bruma da manhã,
um planeta-dervixe que gira em seu próprio eixo em colóquio
com aquele que vive acima das sete camadas,
uma nuvem de morfina que desce as veias da cidade ,
o imperador que suavemente toma sua última taça
e caminha para dentro do lago,
adentrando o vislumbre de uma garça
que na verdade é uma sala branca
dentro de um nenúfar nascido da dúvida
do soldado que persegue a lua
com sua rede de caçar borboletas
e aparece Angkor Wat ou Tirgu-Jiu á sua frente
e é essa a arte de encontrar sem esperar coisas valiosas ou admiráveis.
Uma cidade perdida ou proibida com suas cúpulas prata cobertas parcialmente por líquem,
uma cortina de cor de absinto onde certamente alguém toma sua forma
e possui levemente seu tecido sorvendo-o ,
onde repousa um reino-rio celifluente
e ele derrama sua paisagem,
sua lavanderia indonésia
pelo quarto onde dorme uma estátua do Ceilão.
QUANDO AVISTAM TORNADOS
Ouço nossas casas gritarem
Quando avistam tornados.
Anjos com asas de espiral,
Em velocidade descomunal.
Devastando a cidade
Com suas bençãos disfarçadas
De calamidade
E o céu então se parece com o nada
Trazendo em cada volta,desejos de ordem maior,
Sonhos inconfessáveis,seu olho em M.R.O.
Abraça nossa visão indefesa
E logo somos arremessados
Sobre a mesma mesa
Futuro,presente e passado
Se revezam num discurso sobre qual sombra estamos
O que os astros nos dizem enquanto flutuamos
Quando avistam tornados.
Anjos com asas de espiral,
Em velocidade descomunal.
Devastando a cidade
Com suas bençãos disfarçadas
De calamidade
E o céu então se parece com o nada
Trazendo em cada volta,desejos de ordem maior,
Sonhos inconfessáveis,seu olho em M.R.O.
Abraça nossa visão indefesa
E logo somos arremessados
Sobre a mesma mesa
Futuro,presente e passado
Se revezam num discurso sobre qual sombra estamos
O que os astros nos dizem enquanto flutuamos
AUTO-RETRATO INTERIOR
Cristal-quartzo,
Goteja
No pulso-pátio.
Miro o infinito,não mais congelo o espírito.
Os vapores dos gêisers escorre
Pelos flancos dos sobrados
Em silenciosos lençóis,estratos.
Vejo,ouço rouco,osso louco,oco corro,oxímoro
Pela boca,pelos ecos aos poucos e descubro o segredo da vida.
A primavera sorrindo parabrisas,
A serpente de 9 cabeças
No jardim das sobrancelhas.
Onde sombras se refugiam nos lápis azuis.(-Olha o Tigre!).
O sintético alarde,que invade mundos e fundos,
As galerias,memorabílias atrás do céu lúcido.
O olho,o outro,
Alas ardentes do Palácio Ideal
Inundadas pelo ruflar,agudo,pontiagudo e grave.
Um pássaro de plumas pluviais,vias transcendentais
À se perder de vista,
Pousa na vértebra colossal,colina primordial,abrasível e abissal.
Sorvo o leite das tetas atlânticas,pradarias
Da mãe de todas as angústias,um riso branco,
Sumidouro dos radares.
A Via-Láctea transbordou as margens.
Receio de perder o espaço conquistado
À duras penas capitais.
O que se cala é o que reverbera
Em rumor brando pela estratosfera,
Rugidos de animais xamânicos
Em espelhos sensíveis à luz.
Autos-retratos interiores
No parapeito,nuvens ciceroneiam,rodeiam
Círculos concêntricos recuados,
Gigante tombado
Por rompantes liliputianos.
Elefante sacrificado
Pelo marfim,ao deus do mercado do Cairo.
Goteja
No pulso-pátio.
Miro o infinito,não mais congelo o espírito.
Os vapores dos gêisers escorre
Pelos flancos dos sobrados
Em silenciosos lençóis,estratos.
Vejo,ouço rouco,osso louco,oco corro,oxímoro
Pela boca,pelos ecos aos poucos e descubro o segredo da vida.
A primavera sorrindo parabrisas,
A serpente de 9 cabeças
No jardim das sobrancelhas.
Onde sombras se refugiam nos lápis azuis.(-Olha o Tigre!).
O sintético alarde,que invade mundos e fundos,
As galerias,memorabílias atrás do céu lúcido.
O olho,o outro,
Alas ardentes do Palácio Ideal
Inundadas pelo ruflar,agudo,pontiagudo e grave.
Um pássaro de plumas pluviais,vias transcendentais
À se perder de vista,
Pousa na vértebra colossal,colina primordial,abrasível e abissal.
Sorvo o leite das tetas atlânticas,pradarias
Da mãe de todas as angústias,um riso branco,
Sumidouro dos radares.
A Via-Láctea transbordou as margens.
Receio de perder o espaço conquistado
À duras penas capitais.
O que se cala é o que reverbera
Em rumor brando pela estratosfera,
Rugidos de animais xamânicos
Em espelhos sensíveis à luz.
Autos-retratos interiores
No parapeito,nuvens ciceroneiam,rodeiam
Círculos concêntricos recuados,
Gigante tombado
Por rompantes liliputianos.
Elefante sacrificado
Pelo marfim,ao deus do mercado do Cairo.
sábado, 3 de janeiro de 2009
TURISMO ACIDENTAL
E eles escalam o Everest
com um sorriso tártaro,
a grande geleira sem nenhuma graça
os cobre de beijos de cristal.
Tão indolor e implacável
ela se desmancha,
a rosa da avalanche repira
mesmo sob a ira do inferno branco.
O santo sudário tibetano se estende sobre os corpos dos amantes
Em sua aventura dentro das nuvens.
E do alto da criatura de gelo,
do abominável titã sem sangue,nem amor,
eles se jogam.
Lançam lancinates gritos
que rasgam o ar
e estremecem os ídolos mais próximos,
dando vida à rochas inexatas
e corações rosetanos.
com um sorriso tártaro,
a grande geleira sem nenhuma graça
os cobre de beijos de cristal.
Tão indolor e implacável
ela se desmancha,
a rosa da avalanche repira
mesmo sob a ira do inferno branco.
O santo sudário tibetano se estende sobre os corpos dos amantes
Em sua aventura dentro das nuvens.
E do alto da criatura de gelo,
do abominável titã sem sangue,nem amor,
eles se jogam.
Lançam lancinates gritos
que rasgam o ar
e estremecem os ídolos mais próximos,
dando vida à rochas inexatas
e corações rosetanos.
sexta-feira, 2 de janeiro de 2009
O DESAPARECIMENTO DAS MÃOS
Meus lábios descem até os seus,como epifania.
Coruchéu que cansou de ver o Coliseu
Do alto de um arranha-céu e desejou ser corroído por Cronos
E ser jogado aos leões da finitude carnal,
Ser devorado pelos ponteiros insaciáveis
Ao tocar tua chave-mestra e girar
A roda-gigante em chamas que se desprende do teu crânio
E transforma minha cidade,na cidade do sol,Heliópolis.
Tão agridoce tua secreta secreção
E o desaparecimento de minhas mãos,
Meus dedos leves levam as jóias do teu templo artemíseo.
De manhã,apenas as brasas podem serem vistas
No lugar onde haviam cultos diários
Aos teus 21 seios outrora intactos.
Coruchéu que cansou de ver o Coliseu
Do alto de um arranha-céu e desejou ser corroído por Cronos
E ser jogado aos leões da finitude carnal,
Ser devorado pelos ponteiros insaciáveis
Ao tocar tua chave-mestra e girar
A roda-gigante em chamas que se desprende do teu crânio
E transforma minha cidade,na cidade do sol,Heliópolis.
Tão agridoce tua secreta secreção
E o desaparecimento de minhas mãos,
Meus dedos leves levam as jóias do teu templo artemíseo.
De manhã,apenas as brasas podem serem vistas
No lugar onde haviam cultos diários
Aos teus 21 seios outrora intactos.
SNOWBLIND KILIMANJARO
As neves eternas se foram do topo do Kilimanjaro.
Se foram as vendas do executado recorrente
No Hotel da Loucura Dramática,
Em um dos quartos vertiginosos,
Dentro do espelho do Dióscuro,
O olho de David Bowie perdido num assalto.
O homem que caiu na terra
Acertado por um pirulito não identificado.
A moeda de ouro no vão da face de Borges
É o losango de esmeralda na fronte de Lúcifer,
O menino-sem-olhos snowblind.
Se foram as vendas do executado recorrente
No Hotel da Loucura Dramática,
Em um dos quartos vertiginosos,
Dentro do espelho do Dióscuro,
O olho de David Bowie perdido num assalto.
O homem que caiu na terra
Acertado por um pirulito não identificado.
A moeda de ouro no vão da face de Borges
É o losango de esmeralda na fronte de Lúcifer,
O menino-sem-olhos snowblind.
HOSPÍCIOS E TRANSATLÂNTICOS
Um navio esquizofrênico no céu
Pergunta as horas às nuvens mais dispersas
No pátio onde são desprezadas
Por cavaleiros inexistentes
Enquanto Salustre
Com suas órbitas vazias
Guarda faróis invisíveis
E avista terra firme
Em plena calentura
Clarabóias voltadas pro alto,
Telescópios pra Aldebaran,
Astrais matilhas,austrais escotilhas,
Clareiras nebulosas,
Estreitos interstícios
Por onde os lagartos estelares passam
No solstício de verão
Ao meio-dia.
Homem ao mar da loucura
E a serenidade acena lá no cais,
Nunca mais,nunca mais.
Pergunta as horas às nuvens mais dispersas
No pátio onde são desprezadas
Por cavaleiros inexistentes
Enquanto Salustre
Com suas órbitas vazias
Guarda faróis invisíveis
E avista terra firme
Em plena calentura
Clarabóias voltadas pro alto,
Telescópios pra Aldebaran,
Astrais matilhas,austrais escotilhas,
Clareiras nebulosas,
Estreitos interstícios
Por onde os lagartos estelares passam
No solstício de verão
Ao meio-dia.
Homem ao mar da loucura
E a serenidade acena lá no cais,
Nunca mais,nunca mais.
NOSSOS DISFARCES
Estico tua pele,
teu disfarce,
teu vestido encarnado
sob o magma esfriado,
tua morte solar
enquanto investigo, instigo,
mastigo tua alma
de lepidóptero machado,
lavadas, simétricas asas
dissecadas por Zéfriro,
estandarte do êxtase,
do extremo desregramento,
trêmula têmpora,
sob a benção supersônica,
espalhada pelo chão craquelado
do anfiteatro,
esfumaçante galeão de pedra,
suspenso cérebro náufrago
no quarto royal dos opiáceos.
teu disfarce,
teu vestido encarnado
sob o magma esfriado,
tua morte solar
enquanto investigo, instigo,
mastigo tua alma
de lepidóptero machado,
lavadas, simétricas asas
dissecadas por Zéfriro,
estandarte do êxtase,
do extremo desregramento,
trêmula têmpora,
sob a benção supersônica,
espalhada pelo chão craquelado
do anfiteatro,
esfumaçante galeão de pedra,
suspenso cérebro náufrago
no quarto royal dos opiáceos.
DESASTRO
Retorço a chave central e vejo o que me atrai além do abismo.
As asas perdidas para sempre são ondas incandescentes de opala
Que se reviram dentro de sua própria memória oceânica e bélica.
Quantos encouraçados em seu estômago, morada das almas?
O palácio surge no meio do deserto em minha fala concentrada
Em hipnótica reverência ao sol que arranha a testa e rasga
As galerias subterrâneas em minha mente-cidade caótica.
Aqueodutos escondidos deixam suas pernas-vórtices, parabólicas
Dispararem contra a opiniâo pública se alimentando do ventre das mariposas ensandecidas.
O gato lunar põe suas garras na atmosfera da metrópole no Aquário
E quase derruba o vidro numa alusão ao filho de Hélio, o desastro
As asas perdidas para sempre são ondas incandescentes de opala
Que se reviram dentro de sua própria memória oceânica e bélica.
Quantos encouraçados em seu estômago, morada das almas?
O palácio surge no meio do deserto em minha fala concentrada
Em hipnótica reverência ao sol que arranha a testa e rasga
As galerias subterrâneas em minha mente-cidade caótica.
Aqueodutos escondidos deixam suas pernas-vórtices, parabólicas
Dispararem contra a opiniâo pública se alimentando do ventre das mariposas ensandecidas.
O gato lunar põe suas garras na atmosfera da metrópole no Aquário
E quase derruba o vidro numa alusão ao filho de Hélio, o desastro
RICOCHETES - Scenario 2
A serenidade é oblíqua,como um dente inciso na boca pintada de preto e cobre,brilhando um planeta desconhecido logo ali em frente,onde as máscaras são endereçadas para o cadáver sem alma,longe limpando sua roupa de astronauta,catando genocídios com apenas uma lágrima e um colher de sal na sua cabana de férias,de gesso e água-viva,ponta de asa angelical e gélida,que passa a queimar quando é tocada pelos raios de um nada ingênuo cupido solar,seus olhos brilham mesmo no escuro constante de seu mundo extra-sensorial,vendo o inesperado caminhando sobre a grama,sobre o centeio,sobre a lâmina que nunca dorme,que espera para dar o bote e ela sabe quando não há mais dia nem noite,quando não se dividem os hemisférios da mente,quando se descobre que bem e mal são gêmeos siameses,quando o paradoxo é sugado pela perplexidade de ver que as diferenças foram embora com o medo do próprio si.
RICOCHETES - Scenario 1
Ciclopes em seus gigantes velociclos,supercílios dentro da nuvem ardente,olhos abertos para a santa inquisição enquanto a lona desce cascata palavra líquida,racha a língua da montanha chinesa com suas atrações e abismos,narcisos-dos-prados e dentes-de-leão mergulham e rugem para dentro do olho do Nilo,o Egito no ciclo M.R.O.E ele tenta fugir pelas escadas assassinas do templo com seu punho-corredor esmurrando ao longe a face do sol e ele cospe seus dentes de ouro roubados do túmulo de um antigo rico crepúsculo.Nasce um novo sorriso,artefato de um novo eflúvio,locomotivo e leitmotiv,kinotrem rugindo e rasgando o céu,proporcionando aos espectadores e espectros espetáculos onde a raiva e a melancolia se fundem,eclipsando as ruínas de um conhecido sítio arqueológico.A noite vence seus rivais com um lastro da memória dos doze assaltos e ela vem reinando,suas veias expostas em lentes e lâminas de ardósia .Facteur Cheval risca o fósforo-olho como um édipo carteiro e entrega suas visões e paraquedas pelo vão do dia de imprecisa efemêride.Fecham-se então as cortinas do circo lunar.
quinta-feira, 1 de janeiro de 2009
SEM LEGENDAS
tenho
um segredo guardado
há muito tempo
se enferrujando
num jogo subterrâneo
corações são kinotrens
famintas cascavéis de aço
se enrolando pelos trilhos
sem ninguém perceber
sentimentos passageiros
afrouxando suas gravatas
sorrateiramente
se juntando aos ratos
nesse jogo subterrâneo
sem perceber
e descem
em suas respectivas estações
olham para seus relógios
plenas satisfações
de estarem na hora certa
no matadouro
e vender suas imaginações
a preço de ouro
Eu queimo por dentro
mesmo que você
nem queira saber
Eu piro,
tenho uma pira
a consumir meus nervos
mesmo que você
nem queira ver
está passando hoje
no Cine Nero
Roma está a arder
se você quisesse assistir
o filme da minha alma
o sangue de um poeta
você poderia me entender
sem legendas
um segredo guardado
há muito tempo
se enferrujando
num jogo subterrâneo
corações são kinotrens
famintas cascavéis de aço
se enrolando pelos trilhos
sem ninguém perceber
sentimentos passageiros
afrouxando suas gravatas
sorrateiramente
se juntando aos ratos
nesse jogo subterrâneo
sem perceber
e descem
em suas respectivas estações
olham para seus relógios
plenas satisfações
de estarem na hora certa
no matadouro
e vender suas imaginações
a preço de ouro
Eu queimo por dentro
mesmo que você
nem queira saber
Eu piro,
tenho uma pira
a consumir meus nervos
mesmo que você
nem queira ver
está passando hoje
no Cine Nero
Roma está a arder
se você quisesse assistir
o filme da minha alma
o sangue de um poeta
você poderia me entender
sem legendas
Assinar:
Postagens (Atom)
