sábado, 27 de junho de 2009

TELEPHONE PARA PERSEPHONE

O fone grita:DRRRRRRRREEEEEEEEEEEEAAAAAAAAAAAAM!!!
E alguém recebe o chamado.

Enquanto o jardim ruge,racha-se a grande máscara da terra,
com suas folhagens,relva,espíritos,rituais de passagem,coitos,revelações.
O animal branco no cadafalso vermelho em Sur desce,
com suas garras nebulosas e rugas obscuras,de relevo acidentado
e o chão abre sua bocarra,
blasfemando sem descanso,engolindo a paisagem.
Queimando os pés diagonalmente,ela desce sem deixar vestígios,
nem relógios de parede.
Enquanto isso ela não foge do Hades,
caminha numa peregrinação pelas entranhas da Terra.
Ela caminha até a janela,não arranca os olhos mas,os atira longe pela madrugada.
O sindicato do sonho,varre as ruas com seus protestos,
barricadas,palavras de desordem,boas novas,cocktail molotov e musas de Paul Delvaux.

O fone grita:DDDDRRREEEEEEAAAAAMM!!!
E todos dormem ao amanhecer.

Persephone desce ao Hades e desposa-se do príncipe.
Ele vai a loucura e faz compras providenciais.
Compra um novo rosto e ela novos seios de morango.
Ela hidrata a pele com leite do Letes e esquece do último devaneio,
quando ele é vertido durante o transe alquímico.
E os pássaros de vapor se divertem,bicando as rosas e as romãs no último assalto.
De dentro delas são sugados os símbolos,tartarugas,escamas,
poemas esquimós,tilintar de taças e talheres,becos escuros e danças húngaras.

O fone grita:DRRREEEEAAAAAAMMMMM!!!
Césare e outros sonâmbulos acordam
e cometem uma onda de assassinatos contra o tempo vigente no cais
e ninguém vê suas mãos ensanguentadas de minutos e segundos.

O INTERNATO NA BEIRA DO PRECIPÍCIO INTERNO(extrato)

O vento bate,fere de lado,
abrem-se fendas nos flancos,
portas se abrem como bocas de hierofantes,
antes tartemudos e fugidios.
Cometas carregados de chaves brilhantes,
que abrem oceanos ao torcer.
Poucos sabem sobre o despertar dos insetos,
nova estação,com seus vagões
se descarrilhando próximo as luas esquecidas.

Eles se lembram,
do tempo que eram insetos de aço e metal,
atravessando as narinas do mundo e seus vômers.
Em voos cegos,príncipes dilatando ao sol no parapeito estreito,
vendo as ruínas do mercado de pulgas,
batendo as asas membranosas ansiosas pelo Satori,
desenhando koans no espaço que não há.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

CHORA O OLHO DE CRISTAL NA TESTA DO CÉU

As cristaleiras quedam e formam açudes e surgem náufragos vermelhos,azuis,múmias embalsamadas e gatos e mais imagens se dilatam do ventre da tempestade.A calidez de atonais matizes coloram os solstícios que digressam e digerem os olhos que buscam Vênus à olho nú do lado do sol.Prismas se congelam na claridade insólita dos dias ímpares onde não se vê o girassol incandescente ser engolido pelo fosso crepuscular.Subo as escadarias descarnadas cor-de-raiz desraizada,os raios nascem assim do corpo alma de Iansã.Não durmo, transito pelas ruas oxigenadas e arsênicas,respiro os vapores esquecidos e conservo o turvo viés e sinto a presença
de quem canta que nada é intransponível nem mesmo a barreira do som.E as cristaleiras quedam como águas-vivas das mãos do detentor de todas as cicatrizes e marcas do tempo.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

O ATO TRANSCENDENTAL I

O dedo mergulha,
hábil narciso-dos-prados,
se transforma
ao adentrar a ferida no peito do golfo,
um míssel cego
pela ânsia do inverno mais rigoroso.
O corpo todo é mergulhado,
as escamas da tarde são tão escorregadias.
As enguias dançam e gritam pelas costas,
ardem as escadarias acima
Até chegar ao salão principal do Palácio dos Sonhos.

As decaptações em série,
o brilho nervoso do sabre,
preciso golpe,talha-mar
nos cascos encalhados
dos navios-cavalos-carrascos
em plena tempestade de areia.
Somem os ouvidos,somem as línguas
que giram até a dissolução
dos pedaços
que logo se densificam,
formando meteoros
viajando anos-luz,
fundas
navegando a raiva e a melancolia
do vácuo mais obscuro.