domingo, 20 de maio de 2012

MAELSTROM

Devo me lembrar do que eu sempre esqueço,
que a verdade é um prato que se come frio
& que ao lance de dados não se vê os dentes,
quando o dia descansa,
a ambição não dá
com os burros n'água
enquanto isso a melancolia sorri
no teto do edifício nada.

Enquanto isso busco a iluminação
& sem querer desenterro
ruas inteiras de um filme B
que se passa sem ao menos alguem perceber.

Borboletas comem cardumes de pássaros embriagados,
na jaula de um vale-tudo,
um criado-mudo range suas presas
& gira a chave estrela por um segundo,
se abre a respiração
de um maelstrom
que tinha medo de nunca ser responsável
de alguma tragédia histórica marítima.

Seria a total desonra para seu pai Posseidon,
pela fúria do pai,iria perder seu olho o Maelstrom!

ENQUANTO ISSO NO CLUBE DOS HAXIXINS...

Uma sombra entra sorrateira na sala de máquinas,
a senha:um cadáver delicado,ela sopra
e puxa alavanca dos sonhos e os ativa.
Pode ser aquela me espreitava
de dentro de algum retrato-relâmpago.
Peixes se rebelam no aquário-arena
e estouram em uma Pamplona aquática.

Este é meu cérebro que é dado por vós!

Há uma liquidação de corpos tristes,
rolando na cerâmica colonial como perfeitos infiéis.
Halguem vê a Santa Inquisição subindo de joelhos
a colina bordada de terçóis e heliantos carnívoros
& o Velho da Montanha espera pelos viajantes
e suas xícaras dervixes rodopiantes,
vão de mão em mão.


Este é meu cèrebro que é dado por vós!


Eu arranco os pés da minha alucinação
e ela voa por sobre a brasa dormida de um sol morto.


Na câmara azteca,se esvairam todos os gritos seculares
dos que foram engolidos pelos vórtices solares.


Este é meu cérebro que é dado por vós!

TEMPO DILACERADO

tanto tempo dilacerado,


acelerando os corpos,


manada de búfalos


em ledo engano


rumando ao longe,


rasgando os campos


dentro do peito humano.

O QUE SE DISSIPA

O que se dissipa
são asas membranosas
da borboleta no último voo,
a esperança de um sonâmbulo
atravessar a ponte incendiada
sem que alguem o desperte
dizendo que seus pés estão queimando.

Ele sabe,no fundo ele sabe
apenas não sente
guardado por uma espécie de anestesia sensorial,
um cobertor magnético
que o cobre de beijos de morfina.

Alguem joga-lhe o paraquedas
com receio de que se machuque
mas,você pousa com a leveza dos anjos
e anda sobre os diamantes na Estrada de Golconda
sem se cortar...
...e os reflexos vão ficando para trás,
as nuvens fazem um triângular abraço
e te aspiram levemente...
...e você lembra finalmente que alguem te sonhou.

RVINAS ROMANAS

Ruínas romanas,
sobrancelhas das Cariátides
atravessam a rua schizophrenia
& não levam em consideração
os parabrisas que te saúdam em vão
& abatemos a razão,nossa caça,
com o caça de nossa força aérea,
nossa febre terçã,os dias d.
Estamos em Kali-Yuga a ferro & fogo forjados,
pelo mesmo sentimento dragados
& não vimos ainda nenhum cavalo branco
& muito menos ouvimos seus cascos
de dentro da concha etérea
riscando a porcelana
ouro & branco dos tímpanos
Vemos o vidraceiro gritando
de dentro do espelho,
Eu colo seus cacos
e arrumo uma nova moldura para você voltar!

ENCANTO

Vejo a entrada de uma cidade imemorial,
Alphaville ou Avalon.
Vejo a Muralha da China,
Kundalini dancando na espinha da Terra em transe.
Alguem pode ver de alguma camara obscura
Todos os apocalipses,todos os eclipses,
Todos os planetas em fila indiana
Queimando a sola dos seus pes suspensos,
Funambulos sobre o fio da navalha,
Na mira do gatilho mais rapido do Cosmos.

Entro por Xanadu,Shangri-la ou Angkor Wat
Caco borboletas em seus voos kamikazes,
E alguem grita-Tora,tora,tora!
O que queima mais,serao as uvas
E seus sete mil degraus
Ou Dido,Joana,Joelma e Andraus.
E alguem risca seu fosforo Olho
E alastra sua visao de alucinantes kodaks,
A chave onirica que abre os ceus
Esta nas maos do porteiro do hotel
Onde o poeta por acaso foi parar
Dentro do espelho para o encanto nao passar.

LEGIONARIO DO DELIRIO

As ruas estao cercadas de pavoes

e eles delimitam a fronteira,
aparece um ciclope
de dentro de um ovo olho-cosmico,
cuspido por algum adversario do sono.
Hey Lady Macbeth,veja os trilhos
por onde sua locomotiva enebriada passa
sem deixar vestigios,
apenas um pavio tem certeza
de que a medida
que o fogo sobe suas retinas,
fecham as lojas de conveniencia
e nao se vendem mais asas,
as esfinges esquecem do enigma,
enquanto a garganta esta seca
como a bota de um menino e sua baioneta.
Nao se vendem mais sonhos,nem algodao-doce,
nem tigelas com leite e morangos,
vendem-se orgaos humanos,vendem-se planos
e voos sobre o Atlantico,
Quem dormira sob as aguas,
a Dorsal
seria o grande Leviata,
a sacudir o oceano da realidade
e vencer o que lhe impede
de quebrar os vitrais
onde haverao respostas
e pular sobre os abismos da percepcao,
abrir o pote das linguas
que sumirao
apos as nuvens
e os lencois nao serao mais do que redes
onde apanham-se Krakens
e suas ventosas grudando no vidro do ar,
farao a succao
e abrira a nova janela
para onde o tempo foge.