sexta-feira, 6 de maio de 2011

O PALÁCIO DOS SONHOS

São lâminas de ardósia
que carrego madrugada adentro,
na madrugada de meu próprio ser,adentro,
cortando caminho por cumulusnimbus
mais pesados do que as asas dos anjos
que nunca foram providos de ingenuidade ou inocência,
posso ver o sangue cósmico escorrendo pelo canto do universo
de suas bocas prateadas de aço inoxidável.

Já que a pureza é um mito,
sigo caçando tempestades e
coletando as lágrimas incandescentes de Heráclito
mas,não existem vasos para conter flores de fogo.
Atravesso a escuridão de minha própria noite
que parece nunca ter fim,
Tenho um carrinho-de-mão
e imagens de arquiteturas oníricas,
de todo este mundo
e de outros que virão.
Não sou arquiteto,se bem me lembro
sou um carteiro
e a intimidade que tenho com o mais-além,
dos espaços e das geometrias,
permitam-me abrir as comportas do ar
e deixo cair sobre mim
o volume do céu e o supremo barulho
das nuvens que se abrem.
Sobre meu abismo
acorda o Palácio dos Sonhos.

CAVALOS INSANOS

O que transbordam nesse momento não são os carros,
as lagostas e o vermelho recorrente das casas esmaltadas
que antes se equilibravam
nas mãos do acaso,
nas pontas dos dedos de um desfiladeiro,
desfilando aos olhos do céu,também exposto
com suas vísceras e fios de alta-tensão,
decapitando a visão das nuvens que se apresentam nuas
em seus cavalos insanos.
é meia-noite e os cães da guarda infernal já estão a postos,
deitados nas escadas embevecidas
com o vinho do corpo de jovens communards,
vencidos pelos desígnios da imortalidade.
Você pode vê-los comendo as enguias,
sendo eletricutados subcultaneamente
pelos novos dialetos aprendidos quando se é enforcado
e o deleite interrompido bruscamente,
é o desejo que nos faz pegar em armas
e sermos atingidos.
seios são trincheiras,pernas são gatilhos
e o suor é munição e no fim somos todos vencidos.
Em brasas vermelhas no começo do dia nos transportamos.