segunda-feira, 20 de abril de 2009

EBURNUM(Prelúdio)

dentro de cada homem reside um monstro de pedra,
escondido nas dobras de penhascos seculares,
de montes de lixo,de escamas escorregadias,
vícios pantanosos,de promessas infundadas,
sorrisos que se desintegram facilmente contra a luz,
com suas cicatrizes,senhas para um outro tempo,
fendas,passagens,relevos acidentados,vítimas,presas e atentados
e um coração vazio, desfiladeiro de ecos ensurdecedores recorrentes
que movem gigantescas pedras para baixo com tamanha velocidade e violência
soterra cidades inteiras e vidas são devastadas impiedosamente por seus caprichos...


domingo, 12 de abril de 2009

A MAIOR E A MENOR DISTÂNCIA É A DA MENTE

as mãos navegam,envelope de algas flutuando,as palavras se molham em finas camadas,borram e se dissolvem,se marmorizam,tingindo a água com o sangue das cores escondidas.Sou eu que dissolvo,minha epiderme marinha deságua nas proximidades do cais onde um desfile de memórias passam abrindo a estação do desprendimento,meu corpo boia nas margens do esquecimento e todas as palavras escapam sem nenhuma finalidade conhecida,elas partem pra longe,pro enigmático,pro jamais sido,cartas endereçadas à ninguém e a todos,os que nunca viram meus olhos e os que já estão cansados de me ver presente.Máquinas de escrever são pássaros que vão estalando seus ossos entre os sentimentos,arbustos de fácil combustão.Sou uma ilusão como qualquer um de nós.Estamos sempre juntos,descendo o anfiteatro até a cratera,nosso paraíso é derreter para a posteridade.Enquanto isso as mãos flanam pelas ruas de leite e clorofórmio,pelas estradas de vinho e damasco,pelas alamedas de sangue e esperma,pelas encruzilhadas no dia em que os véus ficam mais tênues entre os vivos e os mortos.as mãos navegam através de antenas,do ar,fios e cabos,vidros,oceanos,montanhas,espelhos,viagens siderais de puro desejo,elas queimam sem saber,circulam num ato profundo e transcendental ,se cruzam pelas ondas e radiações do longe perto.

NÃO TENHA MEDO DOS CATACLISMAS

alguém

abre a porta do seu quarto,
alguém que queima.

bólide,

adentrando
sua atmosfera densa
pela penumbra.

suas mãos possuem
cirros envoltos,
suas mãos agora
são o céu cobalto

&

o sol passeia
solto e alto,
furioso
entre seus dedos de areia.

os raios dançam em suas palmas,
mas,não tenha medo dos cataclismas

&

se um eclipse de repente
aparecer
sobre as linhas do seu destino,
se equilibrando
entre os edifícios espelhados.

ele não quer ficar para sempre,
não vai ficar para sempre.
só quer passar por você,
algo sem nome quer
lhe conhecer
pelos seus mais
estreitos interstícios.

alguém

queima a porta

&

derrete o trinco
quando o toca.

mesmo por descuido
o metal entorta,
com a força da mente,
com a força do ente

&

seu magnetismo lhe atrai,


uma metralhadora giratória
a sorrir em pleno dies irae.

sexta-feira, 10 de abril de 2009

TUDO É FEITO ANTES

Bem antes do mundo abrir sua pele,
a ponte elevadiça dança kundaliniana
com seus carros de vermute.
No território árido da memória
arde o silêncio dos pneus de gelo.
Caem dos degraus as avenidas insones,
vespas transitam por dentro dos sinos
da metrópole em sã descida
ao crepuscular domínio das antenas desconexas
e cristalinas dos temporais.
Caem os sinos,transformando-se em vinho,sangue,
paixão troglodita das ruínas
que tomam forma de grandes gladiadores.
Tudo é feito antes,até mesmo os tremores não são fait accompli.
Fios de água promovem doces curtos-circuitos na pele solar,
onde os cataclismas não são catástrofes,são carinhos atômicos.
Tudo é feito antes, até mesmo os rompantes de fúria,
dos roncos ensurdecedores do estômago dos padres
por mariposas em leite fresco,
bem antes ainda o fogo-cruzado das Plêiades,
bem antes o desaceleramento das párticulas,
as ferrovias circunvesuvianas rasgam o estrada
que leva e leva ao jardim dos centauros.
Bem antes das mordaças se atarem às palavras,
sequestrando o gosto do sumo livre e ininterrupto. Itálico
Bem antes de todos os sonhos mais primitivos,mais futuros.
Bem antes do primeiro piscar de olhos,
do primeiro desarme,da primeira ilusão de óptica,da primeira ilusão.
Os krakens lambém os barcos há tanto tempo,
templários lambém sapos,
os parques de diversões estão dentro das mandalas,
montanha-russa cheia de haxixins
e vamos subindo até o alto da montanha em transe
bem antes de tudo que é inconcebível.

MONTE DE VÊNUS OU JÚPITER

É dificil saber 
de onde vem 
aquele vapor 
que inebria 
e te atinge 
de forma contumaz,
rasgando a fronte,
deixando seu ser 
completamente aberto e vulnerável.

É como viesse de repente um raio,
uma faca à laser,
fazendo uma operação no seu espírito 
e plantando no lugar do coração 
os lábios e a essência de alguém 
que você jura jamais ter visto em sua vida 
e aí você sente,você vê que esse sentimento 
te leva como se você fosse um vaso oriental carregado de peixes,
levado por aquela 
que atravessa a ponte 
mesmo enquanto as Górgonas 
lambem seus pés no Lete
 em plena tempestade cerebral.
Nada é por acaso,nem mesmo as quimeras.
Ela ousa atingir a paz ao lado de Marte.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

AO QUE VEM PELO TÚNEL

Seus pequeninos pés reservam
portas batentes nas solas,
e eles levantam zepelinianos voos
por águas brancas,
levitam sobre vilas,
inundam cidades,
revirando oceanos,
abrindo caixas de Pandora,
pétalas,pagodes,escamas,tempestades,

vinhedos,cumes,abóbodas,
até chegar aqui,pelo túnel.
São asas purpúreas que se abrirão
assim como teus olhos de repente
que abrirão clareiras, que são clareiras,
que são raios,nuvens ionizadas
que são a própria claridade,a grande ilusão,
explosão de bomba H.,
campo dos sonhos minado
levando tudo pelos ares
sem pedir licença.

LOGO...

o vento cobre,a toalha do nada,
leva o palácio de cristal
e eu não te vejo mais.
não sei se é mágica ou azar
ou displiscência da luz,
a agonia branca desse falso ártico
toma de conta o ar
e balança meus olhos
nesse berço da inconsciência,
uma babá lunar me nina.
As duas faces que rosronam
e arranham a calma,
o dorso nú do tempo
me convida a se inclinar
e cavalgar a maré alta
que vem do suor de Nemesis,
que não vem me julgar
por amar tanto o fogo
e tão pouco o mar.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

SAÍDAS FALSAS & PEIXES ELETROCUTADOS

Seria prazeroso
Ver suas pequenas mãos de narciso-dos-prados,
Bólides escorrendo no canto da boca do lixo
Dos cineastas da atmosfera densa
Ao nascer da esfinge aurora,
Nos Campos Elísios Egípcios,
Por esgotos nilistas e seus interfluxos.
Atadas ao seu corpo comitê,
Cúmplice de deliciosos mal-tratos
Num frenético bondage sem anistia,
Arrastado por centauros de neon
Ou por fantasmas de bondes errantes,
Içado por teleféricos de longos bigodes sobre os alpes,
Fusíveis de zilhões de ampéres pulsantes,
Tartarugas se delicando com o líquen de árvores triangulares,
Peixes eletrocutados envoltos em papel alumínio,
As cordas apertando seus mamilos lambidos
Por camelos e tuaregues espasmódicos
Em plena tempestade de areia e lençóis brancos
Marcando sua pele com sua permissão e dos upanishads.
Na alcova a explorar suas lendárias crateras
Tão temidas e tão sonhadas
Num misto de desejo e apreensão,
Seus olhos levemente se entregando,
Representação da alma,
De êxtase e estigma ao seu senhor
Sem nenhuma razão
Sendo levado por uma correnteza,
Ou quem sabe uma torrente violenta
De seixos, arbustos e galhos.
Pensar em você como Andrômeda,
Nua,acorrentada numa pedra na orla,
Esperando Perseu libertá-la.
Quero te ver erguida
Não só por meu guindaste de nervos.
Eu sei,te levo as nuvens com minha escada magirus.
Mas,o que eu realmente quero é ver teus olhos brilhando,
Leais à minha crueldade.
Não porque o fogo te consome
Mas,sim porque você não acredita mais em saídas falsas