segunda-feira, 11 de maio de 2009

FATIAS ILUSÓRIAS

Eu não sei,
devem ser os teleféricos cortando o céu em pequenas fatias ilusórias,trópicos.
Tanto a neve quanto o deserto alimentam o dragão de vidro de ilusões de óptica.
Enquanto os alpes são invadidos por atiradores de elite,
jovens se alistam na legião estrangeira para permanecerem estranhos a si mesmos para sempre & alguém perde a garganta ensolarada até os dentes para a rainha da Inglaterra,
Canibal!Canibal!Canibal!
& os açoites estalam seus dedos mais alto do que o Himalaia,
mais alto do que a fome dos desvalidos no primeiro continente,
o continente perdido e enlatado.
As lágrimas são devolvidas no final quando os justos descobrirem
que sempre estiveram lado a lado com seus irmãos siameses,os pecadores,
na mesma salada de rato com pêssegos em calda.
A Tábua de Esmeraldas é o próprio mapa-mundi,
Certo,certo e muito verdadeiro.
Nada exatamente se divide,
nem mesmo a carne,nem mesmo o espírito,nem mesmo os mundos.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

TUAREGUES NOS ANDES

Lágrimas são falhas,
de San Andreas,
São falas.

Artefatos de real grandeza
nas mãos dos manifestantes gafanhotos,
clematites boiando
num lago azul-egípcio,
refletindo tuaregues
em baixo-relevo
pelos Andes,
perdidos no espaço e tempo.

Não sabem voltar,
Saara e Atacama,um só lugar.
Diamantes enferrujam ao luar,
pétalas e cofres
se abraçam em desespero,
derretem
sob o sol de Antares.

Como sempre é verão em Marte
e em toda parte,
uma face dourada brilha
e espalha seu glitter
vinda de um fundo oval.

Rostos decompostos
fazem a paisagem lunar e bélica,
galináceos cantam,
som da gota que cai,
anunciando mais um
circuncisado por Cronos.

sábado, 2 de maio de 2009

PEQUENOS CADÁVERES

Lâmpadas?
Lua nova crescente.

Sangue?
Papoulas em calda.

Avenidas?
Rastros de cometa.

Dor?
Enxame de abelhas.

Nuvens?
Assembléia de cegos.

Sonhos?
Golpes luminosos.

UMA CARTA ROSETANA

as palavras faltam,
a ponte se quebra,
a arcada com tantos dentes,
fábulas,provérbios italianos,árabes,egípcios,
sobram apenas poemas esquimós
de intensa agonia branca
e com o perfume característico
das belas flores de cristal do Ártico.
as flores que te envio agora
por uma espécie de correio mental da madrugada.
espero que chegue em tuas mãos de seda
esta carta inviável.
Que possa lê-la com os olhos,
com a ponta dos dedos,
com sinalizadores para navios à deriva,
com Champollion a seu lado
e outros tantos decifradores de enigmas
que pareciam insolucionáveis.
aqueles que sabem todos relevos lunares,
que passam luas e luas
alisando as costas mais obscuras,
por onde os telescópios não se atrevem.
eu não sei escrever com palavras
mas,com memorabílias internas
e enquanto alguém lê estas fotos,
estas paredes forradas de calendas gregas
a água sobe e oculta meus passos,
as rosas partem de degraus aos saltos,
sentidos adormecem
e sinto luvas internas de raios,
deixando meus dedos iluminados pelo gás neon.
Sou uma instalação de Dan Flavin
e espero que não exploda.
Mas,se eu explodir
meus estilhaços voarão longe,
alcançarão algum desavisado pedestre
pelas hordas da noite
e serei eu
fragmentos de uma psicanálise do fogo
enquanto os degraus de Veneza vão desaparecendo.