quarta-feira, 3 de outubro de 2012

POSTAIS DO INCONSCIENTE

Cavalos-homens
descem a escarpa das estações do metro,
procriam entre mastros maelstrons
com a velocidade dos furacões mais alucinados
nestes mares motorizados de chumbo aço inoxidáveis
onde um cinza-metálico ruidoso fluxo recorrente
cheio de animais em formas de acenos sereias,
brindam, mesmerizam os passantes perdidos de seus pares,
com os olhos mordidos pelo tigre de vapor da angústia
que sobe & sufoca a queda da chuva
presa na masmorra, na nuvem da dúvida
com telúricas histórias vindas de suas fontes radiantes
que abruptamente se lançam
acrobatas armenos sumindo
sob olhares incrédulos de seus mestres
vencidos pelo cansaço,
pelos ventos vertigens
que corroem seu equilibrio agora lendário
na corda bamba da memória
entre penhascos edificios.

O móvel metafísico
aparece observando os tolos sonâmbulos
que deitam na miragem do solstício
& se equilibram na linha imaginária do Equador & dos trópicos
& queimam as raízes do esquecimento
ou pensam se dirigir ao nirvana
com a bondade das estrelas
com suas faces frias e inóspitas
para ricochetes e afagos.
A letargia canta embevecida
com o veneno das idas
que relutam em transitar
pelos que ainda nao acordaram
e tocam as harpas dos cílios fechados,
centeio negro
por onde as pernas molhadas do sigilo lunar
dançam melancolicamente
tais ídolos helenos rigidos e opalescentes,
fincando seus edificios
entre as nuvens ionizadas
de peito aberto e brumoso
esperando a lâmina limpar suas máculas
de bode-expiatório além acima.

Os teleféricos e as tesouras travam duelos
a sorte dos ventos e das poeiras
encontradas nas solas dos dervixes rodopiando
no eixo da Terra,
assistindo a batalha sonora dos cains abels
procurando arados perdidos
nas selvas dos tempos
que cresceram em seus olhos
diluídos em vasos e levados
pela ponte do desequilíbrio
pelas mãos delgadas da dama insana,
de onde um coração é arremessado
apos ser arrancado todo dia
em um dos quartos do príncipe vingança
e ele sorve os dardos
que encontram o dorso da tempestade
e sonha com o escorrer,
a sangria dos minutos
e seu êxodo constante,
trazendo no seu bojo
novos astros e cadafalsos.

sábado, 23 de junho de 2012

CATACLISMAS

Devo me desprender de todos os jogos,
todos os fogos me chamam para a batalha do ser,
ser estigma do sol e seus cataclismas constantes,ininterruptos
ou transparecer a matilha de caes marinhos
que produzem o jorrar das medusas
que aplacam esse incendio
que toma minhas maos e me levam
pra dancar na beira do precipicio,
olhar do ciclope.
Eu vou rangendo meus dentes de rinoceronte azul
e belico me aproximo das escamas do amanhecer
e cravo lhe pedras preciosas e talismas de saliva
e queimo por dentro o mais do que nunca,
o mais do que nunca foge sorrateiramente
pelo vao das pernas
que desdobram em mil durante as friccoes,
por um segundo nos iniciamos
a contagem para um novo por-do-sol
estranho e de panorama ignorado,
entre os arbustos em combustao.

domingo, 20 de maio de 2012

MAELSTROM

Devo me lembrar do que eu sempre esqueço,
que a verdade é um prato que se come frio
& que ao lance de dados não se vê os dentes,
quando o dia descansa,
a ambição não dá
com os burros n'água
enquanto isso a melancolia sorri
no teto do edifício nada.

Enquanto isso busco a iluminação
& sem querer desenterro
ruas inteiras de um filme B
que se passa sem ao menos alguem perceber.

Borboletas comem cardumes de pássaros embriagados,
na jaula de um vale-tudo,
um criado-mudo range suas presas
& gira a chave estrela por um segundo,
se abre a respiração
de um maelstrom
que tinha medo de nunca ser responsável
de alguma tragédia histórica marítima.

Seria a total desonra para seu pai Posseidon,
pela fúria do pai,iria perder seu olho o Maelstrom!

ENQUANTO ISSO NO CLUBE DOS HAXIXINS...

Uma sombra entra sorrateira na sala de máquinas,
a senha:um cadáver delicado,ela sopra
e puxa alavanca dos sonhos e os ativa.
Pode ser aquela me espreitava
de dentro de algum retrato-relâmpago.
Peixes se rebelam no aquário-arena
e estouram em uma Pamplona aquática.

Este é meu cérebro que é dado por vós!

Há uma liquidação de corpos tristes,
rolando na cerâmica colonial como perfeitos infiéis.
Halguem vê a Santa Inquisição subindo de joelhos
a colina bordada de terçóis e heliantos carnívoros
& o Velho da Montanha espera pelos viajantes
e suas xícaras dervixes rodopiantes,
vão de mão em mão.


Este é meu cèrebro que é dado por vós!


Eu arranco os pés da minha alucinação
e ela voa por sobre a brasa dormida de um sol morto.


Na câmara azteca,se esvairam todos os gritos seculares
dos que foram engolidos pelos vórtices solares.


Este é meu cérebro que é dado por vós!

TEMPO DILACERADO

tanto tempo dilacerado,


acelerando os corpos,


manada de búfalos


em ledo engano


rumando ao longe,


rasgando os campos


dentro do peito humano.

O QUE SE DISSIPA

O que se dissipa
são asas membranosas
da borboleta no último voo,
a esperança de um sonâmbulo
atravessar a ponte incendiada
sem que alguem o desperte
dizendo que seus pés estão queimando.

Ele sabe,no fundo ele sabe
apenas não sente
guardado por uma espécie de anestesia sensorial,
um cobertor magnético
que o cobre de beijos de morfina.

Alguem joga-lhe o paraquedas
com receio de que se machuque
mas,você pousa com a leveza dos anjos
e anda sobre os diamantes na Estrada de Golconda
sem se cortar...
...e os reflexos vão ficando para trás,
as nuvens fazem um triângular abraço
e te aspiram levemente...
...e você lembra finalmente que alguem te sonhou.

RVINAS ROMANAS

Ruínas romanas,
sobrancelhas das Cariátides
atravessam a rua schizophrenia
& não levam em consideração
os parabrisas que te saúdam em vão
& abatemos a razão,nossa caça,
com o caça de nossa força aérea,
nossa febre terçã,os dias d.
Estamos em Kali-Yuga a ferro & fogo forjados,
pelo mesmo sentimento dragados
& não vimos ainda nenhum cavalo branco
& muito menos ouvimos seus cascos
de dentro da concha etérea
riscando a porcelana
ouro & branco dos tímpanos
Vemos o vidraceiro gritando
de dentro do espelho,
Eu colo seus cacos
e arrumo uma nova moldura para você voltar!

ENCANTO

Vejo a entrada de uma cidade imemorial,
Alphaville ou Avalon.
Vejo a Muralha da China,
Kundalini dancando na espinha da Terra em transe.
Alguem pode ver de alguma camara obscura
Todos os apocalipses,todos os eclipses,
Todos os planetas em fila indiana
Queimando a sola dos seus pes suspensos,
Funambulos sobre o fio da navalha,
Na mira do gatilho mais rapido do Cosmos.

Entro por Xanadu,Shangri-la ou Angkor Wat
Caco borboletas em seus voos kamikazes,
E alguem grita-Tora,tora,tora!
O que queima mais,serao as uvas
E seus sete mil degraus
Ou Dido,Joana,Joelma e Andraus.
E alguem risca seu fosforo Olho
E alastra sua visao de alucinantes kodaks,
A chave onirica que abre os ceus
Esta nas maos do porteiro do hotel
Onde o poeta por acaso foi parar
Dentro do espelho para o encanto nao passar.

LEGIONARIO DO DELIRIO

As ruas estao cercadas de pavoes

e eles delimitam a fronteira,
aparece um ciclope
de dentro de um ovo olho-cosmico,
cuspido por algum adversario do sono.
Hey Lady Macbeth,veja os trilhos
por onde sua locomotiva enebriada passa
sem deixar vestigios,
apenas um pavio tem certeza
de que a medida
que o fogo sobe suas retinas,
fecham as lojas de conveniencia
e nao se vendem mais asas,
as esfinges esquecem do enigma,
enquanto a garganta esta seca
como a bota de um menino e sua baioneta.
Nao se vendem mais sonhos,nem algodao-doce,
nem tigelas com leite e morangos,
vendem-se orgaos humanos,vendem-se planos
e voos sobre o Atlantico,
Quem dormira sob as aguas,
a Dorsal
seria o grande Leviata,
a sacudir o oceano da realidade
e vencer o que lhe impede
de quebrar os vitrais
onde haverao respostas
e pular sobre os abismos da percepcao,
abrir o pote das linguas
que sumirao
apos as nuvens
e os lencois nao serao mais do que redes
onde apanham-se Krakens
e suas ventosas grudando no vidro do ar,
farao a succao
e abrira a nova janela
para onde o tempo foge.