Cavalos-homens
descem a escarpa das estações do metro,
procriam entre mastros maelstrons
com a velocidade dos furacões mais alucinados
nestes mares motorizados de chumbo aço inoxidáveis
onde um cinza-metálico ruidoso fluxo recorrente
cheio de animais em formas de acenos sereias,
brindam, mesmerizam os passantes perdidos de seus pares,
com os olhos mordidos pelo tigre de vapor da angústia
que sobe & sufoca a queda da chuva
presa na masmorra, na nuvem da dúvida
com telúricas histórias vindas de suas fontes radiantes
que abruptamente se lançam
acrobatas armenos sumindo
sob olhares incrédulos de seus mestres
vencidos pelo cansaço,
pelos ventos vertigens
que corroem seu equilibrio agora lendário
na corda bamba da memória
entre penhascos edificios.
O móvel metafísico
aparece observando os tolos sonâmbulos
que deitam na miragem do solstício
& se equilibram na linha imaginária do Equador & dos trópicos
& queimam as raízes do esquecimento
ou pensam se dirigir ao nirvana
com a bondade das estrelas
com suas faces frias e inóspitas
para ricochetes e afagos.
A letargia canta embevecida
com o veneno das idas
que relutam em transitar
pelos que ainda nao acordaram
e tocam as harpas dos cílios fechados,
centeio negro
por onde as pernas molhadas do sigilo lunar
dançam melancolicamente
tais ídolos helenos rigidos e opalescentes,
fincando seus edificios
entre as nuvens ionizadas
de peito aberto e brumoso
esperando a lâmina limpar suas máculas
de bode-expiatório além acima.
Os teleféricos e as tesouras travam duelos
a sorte dos ventos e das poeiras
encontradas nas solas dos dervixes rodopiando
no eixo da Terra,
assistindo a batalha sonora dos cains abels
procurando arados perdidos
nas selvas dos tempos
que cresceram em seus olhos
diluídos em vasos e levados
pela ponte do desequilíbrio
pelas mãos delgadas da dama insana,
de onde um coração é arremessado
apos ser arrancado todo dia
em um dos quartos do príncipe vingança
e ele sorve os dardos
que encontram o dorso da tempestade
e sonha com o escorrer,
a sangria dos minutos
e seu êxodo constante,
trazendo no seu bojo
novos astros e cadafalsos.
quarta-feira, 3 de outubro de 2012
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